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Toxoplasmose Ocular

  • Foto do escritor: Dra. Alléxya Affonso
    Dra. Alléxya Affonso
  • 15 de set. de 2025
  • 3 min de leitura
retina do olho  infeccionado

A toxoplasmose ocular é uma doença causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. Popularmente, a toxoplasmose é chamada de “doença do gato”, pois os felinos são os hospedeiros definitivos do parasita e podem eliminar seus cistos pelas fezes. Já os seres humanos, aves, roedores e outros animais funcionam como hospedeiros intermediários.


Trata-se de uma infecção crônica e recorrente, que pode afetar diferentes órgãos do corpo. No entanto, quando compromete os olhos, provoca inflamações e cicatrizes na retina, estrutura responsável por captar imagens e enviá-las ao cérebro pelo nervo óptico.


As lesões podem variar em tamanho e localização. Quanto maiores ou mais próximas da mácula (região central da retina responsável pela visão de detalhes), maior será o comprometimento visual. Em casos graves, pode ocorrer perda severa da visão ou mesmo cegueira. A doença pode afetar apenas um olho (unilateral) ou ambos (bilateral).


Causas da toxoplasmose ocular


A infecção pelo Toxoplasma gondii pode ocorrer de diferentes formas:


  • Congênita – quando a mãe contrai a doença durante a gestação e transmite o parasita ao feto pela placenta;

  • Adquirida – geralmente por ingestão de carne malcozida, frutas e verduras mal lavadas, água contaminada, ovos crus ou leite não pasteurizado;

  • Outras vias – mais raras, como transfusão de sangue, transplante de órgãos ou inoculação acidental.


Na maioria dos casos, a forma adquirida é a mais comum. Já a congênita, embora menos frequente, costuma gerar reativações tardias e maior risco de sequelas.


A toxoplasmose ocular é diagnosticada com mais frequência em recém-nascidos, crianças, gestantes e pessoas com imunidade comprometida (como pacientes com HIV ou em tratamento quimioterápico).


Sintomas da toxoplasmose ocular


Os sintomas dependem da extensão, do número de lesões e da intensidade da inflamação (vitrite).

Em fases iniciais, pode ser assintomática. Quando presentes, os sinais mais comuns são:

  • Visão embaçada ou perda de visão;

  • Sensibilidade à luz (fotofobia);

  • Dor ocular;

  • “Moscas volantes” (manchas móveis na visão);

  • Alteração na percepção de formas (dismetropisia).


Complicações possíveis incluem inflamação intensa do vítreo, descolamento de retina, inflamação do nervo óptico, glaucoma, catarata e atrofia óptica.


Além dos sintomas oculares, algumas pessoas podem apresentar febre baixa, mal-estar, aumento de gânglios linfáticos (especialmente atrás das orelhas e na cabeça), amigdalite e, em casos mais graves, alterações neurológicas.


Diagnóstico da toxoplasmose ocular


O diagnóstico é, em grande parte, clínico, feito a partir da avaliação do fundo de olho pelo oftalmologista, que identifica lesões típicas (lesão ativa ao lado de uma cicatriz antiga).


Exames complementares auxiliam na confirmação e acompanhamento:

  • Angiofluoresceinografia e angiografia com indocianina verde (ICG);

  • Tomografia de coerência óptica (OCT);

  • Ultrassonografia ocular;

  • Exames laboratoriais, como testes sorológicos para anticorpos IgG e IgM contra o Toxoplasma gondii.


Embora o tratamento reduza a atividade do parasita e controle a inflamação, não é possível, reverter cicatrizes já formadas. Portanto, quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores as chances de preservar a visão.


Tratamento da toxoplasmose ocular


O tratamento tem como objetivos principais: impedir a multiplicação do parasita durante a fase ativa e minimizar os danos à retina e ao nervo óptico.


As abordagens incluem:

  • Medicamentos combinados, geralmente à base de pirimetamina, sulfadiazina, clindamicina, trimetoprim-sulfametoxazol e corticoides (como prednisolona), para reduzir inflamação e controlar o parasita;

  • Recém-nascidos com toxoplasmose congênita devem receber tratamento prolongado no primeiro ano de vida, incluindo pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico;

  • Tratamento cirúrgico, indicado em casos específicos, como descolamento de retina ou opacidades persistentes do vítreo. Podem ser utilizadas técnicas como fotocoagulação, crioterapia e vitrectomia.


Prevenção da toxoplasmose ocular


Prevenir a infecção é fundamental, especialmente em gestantes, para evitar a forma congênita.


Algumas medidas importantes são:

  • Lavar bem frutas e verduras antes do consumo;

  • Evitar carnes cruas ou malpassadas;

  • Consumir apenas água filtrada ou fervida;

  • Higienizar bem as mãos após manipular alimentos ou areia de gatos;

  • Gestantes devem redobrar cuidados e evitar contato direto com fezes de felinos.


👉 A toxoplasmose ocular é uma condição séria, mas com diagnóstico precoce, tratamento adequado e prevenção, é possível reduzir riscos e preservar a visão.

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