Ceratite, entenda o que é!
- Dra. Alléxya Affonso

- 5 de nov. de 2025
- 4 min de leitura

A ceratite é uma inflamação da córnea que pode causar dor, vermelhidão e visão turva. Entenda os tipos — viral, bacteriana, fúngica e traumática — e saiba como é feito o tratamento.
O que é ceratite?
A ceratite é uma inflamação da córnea, a parte transparente que cobre a frente do olho e é essencial para uma visão nítida. Essa inflamação pode ser causada por infecções (vírus, bactérias, fungos ou parasitas) ou por traumas e irritações, e costuma provocar dor ocular intensa, vermelhidão, sensibilidade à luz (fotofobia) e visão borrada.
Quando diagnosticada e tratada corretamente, a ceratite geralmente evolui bem e não deixa sequelas. Porém, se o tratamento for tardio, pode ocorrer cicatrização da córnea, formação de úlceras e até perda permanente da visão.
Na maioria das vezes, a ceratite afeta apenas um olho (ceratite unilateral), mas também pode acometer os dois olhos, principalmente em casos de infecção viral ou uso inadequado de lentes de contato.
Causas da ceratite
As causas da ceratite podem ser infecciosas ou não infecciosas. Entre as principais origens infecciosas estão:
Vírus, como o herpes simples tipo 1 (responsável também pelo herpes labial) e o herpes zoster;
Bactérias, frequentemente associadas ao uso incorreto de lentes de contato;
Fungos, que podem ser adquiridos após trauma ocular com material vegetal ou contaminação da água;
Parasitas, como a Acanthamoeba, comum em usuários de lentes que entram em contato com água contaminada.
Já as causas não infecciosas incluem:
Traumas oculares (arranhões, substâncias químicas, corpos estranhos);
Uso prolongado de colírios com corticoides ou conservantes irritantes;
Exposição solar intensa sem proteção adequada;
Doenças autoimunes, como síndrome de Sjögren e artrite reumatoide;
Condições que impedem o fechamento completo das pálpebras, como paralisia facial.
Também pode surgir como complicação de conjuntivites mal tratadas.
Fatores de risco para ceratite
Algumas situações aumentam o risco de desenvolver ceratite:
Uso prolongado ou incorreto de lentes de contato;
Baixa imunidade, causada por doenças ou medicamentos;
Clima quente e úmido, que favorece proliferação de microrganismos;
Uso contínuo de colírios com corticoide;
Histórico prévio de lesão na córnea;
Casos anteriores de ceratite.
Tipos de ceratite
Ceratite viral (ou vírica)
É causada por vírus, sendo o herpes simples tipo 1 o mais comum. Pode afetar apenas a camada superficial da córnea, gerando dor, vermelhidão e visão borrada. Quando recorrente, pode deixar cicatrizes e prejudicar a visão.
Ceratite herpética
Resulta de infecção pelo vírus do herpes simples ou pelo herpes zoster (mesmo vírus da catapora). Causa dor intensa, lacrimejamento, fotofobia e, em casos graves, ulceração da córnea. O tratamento é feito com antivirais e acompanhamento oftalmológico próximo.
Ceratite bacteriana
Muito comum entre usuários de lentes de contato, especialmente quando há falhas na limpeza ou armazenamento. Bactérias como Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e Streptococcus estão entre as principais causadoras. O tratamento é realizado com colírios antibióticos.
Ceratite fúngica (micótica)
Causada por fungos como Fusarium, Aspergillus e Candida, geralmente após trauma ocular ou uso inadequado de lentes. É uma das formas mais graves e pode evoluir rapidamente, exigindo tratamento antifúngico intensivo.
Ceratite não infecciosa
Ocorre por irritação química, trauma ou doenças sistêmicas. Pode estar relacionada ao uso excessivo de colírios, exposição solar intensa ou olho seco grave.
Ceratite intersticial
Acomete todas as camadas da córnea e pode estar ligada a infecções antigas ou doenças autoimunes.
Ceratite punctata
Afeta apenas a camada superficial da córnea, causando pequenas erosões (microúlceras) que geram desconforto e sensação de areia nos olhos.
Ceratite filamentar
Caracterizada pelo desprendimento de células da córnea, formando “filamentos” aderidos à superfície ocular. É comum em pacientes com olho seco severo e causa dor e lacrimejamento intenso.
Ceratite dendrítica
Apresenta lesões ramificadas na córnea, semelhantes a galhos de árvore, típicas da infecção por herpes simplex.
Ceratite bolhosa
Provoca inchaço da córnea e formação de bolhas dolorosas, geralmente após cirurgia de catarata ou em doenças como a distrofia endotelial de Fuchs. Nos casos graves, pode ser necessário transplante de córnea.
A ceratite é contagiosa?
Sim, alguns tipos de ceratite são contagiosos, especialmente os causados por vírus ou bactérias. O contágio pode ocorrer por contato direto com secreções oculares, uso compartilhado de maquiagem, toalhas ou lentes, ou mesmo pela autotransmissão, quando o próprio paciente leva o vírus de uma área infectada (como o lábio com herpes) para o olho.
As formas não infecciosas, como as causadas por trauma ou alergia, não são transmissíveis.
Medidas preventivas:
Lavar as mãos com frequência;
Evitar tocar ou coçar os olhos;
Não compartilhar produtos de uso pessoal;
Higienizar corretamente as lentes de contato e estojo;
Usar óculos de sol com proteção UV.
Sintomas da ceratite
Os principais sinais e sintomas de ceratite incluem:
Olho vermelho e dolorido;
Sensação de corpo estranho (“areia nos olhos”);
Sensibilidade à luz (fotofobia);
Lacrimejamento excessivo;
Visão turva ou borrada;
Dificuldade de manter os olhos abertos.
A intensidade dos sintomas pode variar conforme a causa e o tipo de ceratite.
A ceratite tem cura?
Sim. Na maioria dos casos, a ceratite tem cura quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento é seguido corretamente. No entanto, casos graves ou mal tratados podem deixar cicatrizes permanentes na córnea e comprometer a visão.
Tratamento da ceratite
O tratamento depende da causa:
Ceratite viral: uso de antivirais tópicos ou orais;
Ceratite bacteriana: colírios antibióticos;
Ceratite fúngica: medicamentos antifúngicos;
Ceratite autoimune ou inflamatória: colírios com corticoides sob supervisão médica;
Ceratite por olho seco: uso de lágrimas artificiais e medidas para melhorar a lubrificação ocular.
Nos casos mais graves, pode ser necessária uma cirurgia de transplante de córnea para restaurar a transparência e a função visual.
Com o tratamento adequado e acompanhamento oftalmológico, o prognóstico é favorável e a maioria dos pacientes recupera totalmente a visão.




_edited.png)