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Ceratocone

  • Foto do escritor: Dra. Alléxya Affonso
    Dra. Alléxya Affonso
  • 28 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura
ceratocone

O que é ceratocone?


O ceratocone é uma doença não inflamatória e degenerativa da córnea. Ela provoca alterações estruturais que tornam a córnea mais fina e aumentam sua curvatura, conferindo-lhe uma forma de cone (ectasia).


diferença de um olho normal e um com ceratocone

Na imagem acima, é possível comparar uma córnea normal (à esquerda) com uma córnea com ceratocone (à direita). Note como a alteração no formato da córnea faz com que os raios de luz se dispersem de maneira irregular, causando distorções visuais.


Essas mudanças levam ao desenvolvimento de miopia e astigmatismo irregular, dois erros refrativos responsáveis por parte da perda de qualidade visual nesses pacientes.


O ceratocone é a distrofia corneana mais comum, afetando aproximadamente 1 em cada 1.000 pessoas. Embora possa ocorrer em qualquer população, alguns grupos étnicos apresentam maior prevalência. Costuma ser diagnosticado na adolescência ou no início da vida adulta (segunda década), com progressão mais acentuada até a terceira década de vida.


A doença pode comprometer apenas um olho, mas é mais frequente o ceratocone bilateral (em ambos os olhos). Nos estágios avançados, pode levar a perda visual severa e, em casos extremos, até à cegueira.



Sintomas do ceratocone


Os principais sintomas incluem:

  • Visão distorcida, com percepção de múltiplas imagens fantasmas (poliopia monocular);

  • Diplopia monocular (visão dupla em um só olho, em vez de múltiplas imagens);

  • Cefaleia frequente, devido ao esforço visual;

  • Baixa acuidade visual (hipovisão);

  • Fotofobia (sensibilidade excessiva à luz).


Esses sintomas tendem a se agravar com a progressão da doença. Em estágios avançados, o ceratocone pode causar cegueira funcional.


Diagnóstico do ceratocone


O diagnóstico é feito por exame oftalmológico detalhado e testes complementares. O principal é a topografia corneana, que avalia alterações sutis na superfície da córnea, permitindo detectar o ceratocone mesmo em fases iniciais. Outros exames, como a tomografia de córnea (Pentacam, Orbscan) e a paquimetria, também são utilizados para avaliação.


ceratocone

Causas do ceratocone


As causas ainda não são totalmente conhecidas. Entretanto, alguns fatores associados incluem:

  • Ato de coçar os olhos com frequência (agrava e acelera a progressão);

  • Histórico familiar (fator genético envolvido);

  • Doenças alérgicas oculares;

  • Alterações hormonais, sendo comum observar piora durante a gravidez.


Graus de ceratocone


O ceratocone é classificado em estágios:

  • Grau 1 (incipiente/fruste): visão preservada, erros refrativos discretos.

  • Grau 2: necessidade de óculos ou lentes de contato para corrigir a visão.

  • Grau 3: mesmo com correção óptica, a visão permanece bastante comprometida; pode haver indicação de anéis intracorneanos.

  • Grau 4 (avançado): presença de leucomas (opacidade) ou edema (hidropsia). Nestes casos, geralmente é necessário o transplante de córnea.


O ceratocone tem cura?


O ceratocone não tem cura definitiva, mas com tratamento adequado é possível estabilizar a doença e oferecer boa qualidade de visão para as atividades diárias.


Em casos selecionados, técnicas cirúrgicas permitem melhorar a visão e retardar a progressão da doença. Quando há hidropsia ou cicatrizes avançadas, o tratamento indicado é o transplante de córnea.


Tratamentos para o ceratocone


As opções de tratamento variam conforme o estágio:

  1. Correção óptica:

    • Nos estágios iniciais, os óculos podem ser suficientes.

    • Com a progressão, indicam-se lentes de contato especiais (semirrígidas ou rígidas gás-permeáveis), que compensam as irregularidades da córnea.


  2. Cirurgia com anéis intracorneanos:

    • Implantes colocados no estroma corneano para remodelar a curvatura e melhorar a visão.

    • Os mais utilizados são os Anéis de Ferrara e os INTACS.

    • A escolha depende da experiência do cirurgião e da localização do cone.


  3. Crosslinking da córnea:

    • Procedimento que fortalece a córnea por meio da aplicação de riboflavina (vitamina B2) associada à luz ultravioleta (UV).

    • Aumenta a rigidez corneana, estabilizando a ectasia e retardando a progressão.


  4. Transplante de córnea:

    • Indicado nos casos mais avançados, quando há opacidades, cicatrizes ou falha de outros tratamentos.

    • Pode ser penetrante (transplante total) ou lamelar (parcial), dependendo do caso.


🔎 Em resumo


O ceratocone é uma doença progressiva e potencialmente grave, mas hoje existem múltiplas opções de tratamento capazes de preservar a visão e oferecer qualidade de vida ao paciente. O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações e cegueira.

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