Derrame no olho
- Dra. Alléxya Affonso

- 17 de out. de 2025
- 4 min de leitura

Derrame no olho, também chamado de hemorragia ocular ou sangue no olho, pode surgir por esforço, doenças oculares ou hipertensão. Saiba o que causa, os sintomas e o tratamento indicado pelo oftalmologista.
O que é um derrame no olho?
O derrame ocular, popularmente conhecido como “sangue no olho” ou hemorragia ocular, acontece quando ocorre um pequeno sangramento em alguma região do globo ocular. Ele pode surgir de forma espontânea, por exemplo, após uma tosse intensa, espirro, esforço físico ou trauma, mas também pode estar associado a doenças oculares ou condições sistêmicas, como hipertensão arterial e diabetes.
Esse tipo de sangramento pode aparecer em qualquer idade e afetar tanto homens quanto mulheres. Geralmente acomete apenas um olho (esquerdo ou direito), mas, em alguns casos, pode ocorrer em ambos os olhos simultaneamente, o que é menos comum.
A gravidade do problema depende principalmente da localização e extensão da hemorragia, fatores que devem ser avaliados por um médico oftalmologista.
Hemorragia ocular: onde o sangue se acumula?
O derrame ocular pode ocorrer em diferentes partes do olho, e cada uma delas exige atenção específica. O tipo mais comum é o derrame na conjuntiva, conhecido como hemorragia subconjuntival. Contudo, também é possível ocorrer sangramento interno, dentro do olho chamado de hemorragia vítrea ou hifema.
Hemorragia subconjuntival
A hemorragia subconjuntival é o tipo mais frequente de derrame ocular. Nela, há o rompimento de um pequeno vaso da conjuntiva, formando uma mancha vermelha viva na parte branca do olho. Essa mancha pode variar em formato e tamanho: pode ser um pequeno ponto ou até cobrir grande parte da esclera.
As causas mais comuns são:
Tosse, espirros ou esforço físico;
Uso de medicamentos anticoagulantes;
Traumas leves nos olhos;
Esfregar os olhos com força.
Embora o aspecto assustador preocupe os pacientes, esse tipo de sangramento geralmente é inofensivo e autolimitado, desaparecendo em até duas semanas sem necessidade de tratamento específico. Ainda assim, é importante buscar avaliação oftalmológica para investigar a causa do rompimento do vaso.
Hemorragia vítrea
A hemorragia vítrea ocorre quando há sangramento dentro do olho, mais precisamente no vítreo, uma substância gelatinosa que preenche o interior do globo ocular e mantém sua forma.
As doenças mais associadas à hemorragia vítrea são:
Retinopatia diabética;
Descolamento do vítreo posterior;
Descolamento de retina;
Degeneração macular;
Rasgaduras ou buracos na retina;
Oclusões venosas;
Traumas oculares.
Nesse caso, o sangue não é visível externamente, mas o paciente pode perceber visão turva, manchas escuras ou perda de visão súbita. O tratamento depende da causa e pode incluir cirurgia de vitrectomia, quando o sangramento é extenso ou persistente.
Hifema (derrame na câmara anterior do olho)
O hifema é o sangramento na parte da frente do olho, entre a córnea e a íris (câmara anterior). A causa mais comum é o trauma ocular, como uma pancada direta.
O sangue pode ser visível como uma linha ou acúmulo na parte inferior da íris, e o quadro exige avaliação oftalmológica urgente, pois pode causar aumento da pressão intraocular e levar à perda permanente da visão se não tratado corretamente.
Sangue no olho e vermelhidão ocular
Nem toda vermelhidão é um verdadeiro “derrame”. Muitas vezes, o termo “sangue no olho” é usado para descrever olhos vermelhos, que ocorrem devido à dilatação dos vasos da conjuntiva.
As principais causas de olhos vermelhos incluem:
Conjuntivite (viral, bacteriana ou alérgica);
Irritação ocular por agentes químicos ou corpo estranho;
Uso excessivo de lentes de contato;
Síndrome do olho seco;
Traumas e inflamações oculares.
A vermelhidão é um sinal de que algo está irritando ou inflamando a superfície ocular, devendo ser avaliada por um oftalmologista, especialmente se vier acompanhada de dor, secreção ou sensibilidade à luz.
Sinais e sintomas de derrame ocular
Os sintomas de um derrame no olho podem variar conforme o tipo e a localização da hemorragia. Entre os mais comuns estão:
Mancha vermelha visível no olho;
Sensação de ardor ou irritação;
Fotofobia (sensibilidade à luz);
Visão embaçada ou turva;
Dor ocular leve ou intensa (dependendo da causa);
Secreção ou sensação de corpo estranho.
Se o derrame vier acompanhado de dor intensa, visão turva súbita ou alteração na forma da pupila, é essencial procurar um oftalmologista com urgência, pois pode indicar uma condição mais grave.
Causas do derrame no olho
As causas mais comuns incluem:
Infecções e inflamações oculares;
Traumas oculares;
Esforços físicos intensos (tosse, espirro, vômito);
Uso incorreto de lentes de contato;
Uso de anticoagulantes;
Doenças sistêmicas (hipertensão arterial, diabetes);
Cirurgias oculares recentes;
Doenças da retina ou do vítreo (como retinopatia diabética e degeneração macular).
Em muitos casos, as hemorragias oculares são benignas, mas quando se repetem com frequência, é importante investigar doenças sistêmicas ou oculares crônicas.
Tratamento do derrame ocular
O tratamento depende da causa e da gravidade do quadro.
Hemorragia subconjuntival: geralmente não necessita tratamento; o sangue é reabsorvido naturalmente em até duas semanas. O médico pode recomendar compressas frias para aliviar o desconforto.
Hemorragia vítrea: o tratamento é direcionado à doença que originou o sangramento. Em alguns casos, pode ser necessária vitrectomia, um procedimento cirúrgico para remover o sangue do vítreo.
Hifema: pode exigir repouso, medicamentos para controle da pressão ocular e acompanhamento rigoroso, especialmente após traumas oculares.
Evite automedicação ou uso de colírios sem orientação médica. Somente um oftalmologista pode avaliar corretamente o tipo e a gravidade do derrame ocular.
Quando procurar um oftalmologista?
Procure atendimento imediato se houver:
Derrame repetido no olho;
Dor intensa ou sensação de pressão ocular;
Visão turva súbita ou perda de visão;
Histórico de hipertensão ou diabetes mal controlados;
Trauma recente nos olhos.
O diagnóstico precoce é essencial para prevenir complicações e danos irreversíveis à visão.
Conclusão
Embora o derrame no olho costume ser um evento leve e passageiro, ele pode ser o primeiro sinal de problemas mais sérios. Por isso, a avaliação por um oftalmologista é fundamental para determinar a causa e garantir o tratamento adequado.




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