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Edema Macular

  • Foto do escritor: Dra. Alléxya Affonso
    Dra. Alléxya Affonso
  • 25 de fev.
  • 4 min de leitura

edema macular

Saiba o que é, principais causas, tipos como diabético e cistóide, diagnóstico e tratamentos.


O que é edema macular?


O edema macular é uma condição oftalmológica que pode comprometer de forma significativa a visão central. Ele ocorre quando há acúmulo de líquido dentro da retina, especificamente na mácula, região responsável pela visão de detalhes, leitura e reconhecimento de formas.


A mácula localiza-se na área central da retina, posicionada temporalmente e levemente abaixo do disco óptico. No centro da mácula encontra-se a fóvea, uma pequena depressão onde a acuidade visual é máxima.


Quando a mácula é afetada pelo edema, o paciente pode apresentar desde alterações leves até perda visual importante, dependendo da intensidade e da duração do quadro.


O edema pode apresentar-se de forma difusa ou em padrão cistóide, caracterizado pela formação de pequenos espaços cheios de líquido, semelhantes a um “favo de mel”. Quando esse acúmulo resulta em redução da acuidade visual, dizemos que se trata de um edema macular clinicamente significativo.


Principais causas do edema macular


O edema macular não é uma doença isolada, mas sim uma manifestação comum a diversas patologias oculares e sistêmicas. Entre as causas mais frequentes, destacam-se:


  • Pós-operatório de cirurgia de catarata (edema macular cistóide ou síndrome de Irvine-Gass)

  • Retinopatia diabética

  • Cirurgias de glaucoma ou cirurgias vitreorretinianas

  • Degeneração macular relacionada à idade (DMRI)

  • Buraco macular

  • Membranas epirretinianas

  • Coriorretinopatia serosa central

  • Telangiectasias retinianas justa-foveais idiopáticas

  • Maculopatias hereditárias distróficas

  • Vasculopatia coroidal polipoidal idiopática

  • Oclusões vasculares da retina

  • Retinopatia hipertensiva

  • Traumas oculares

  • Uveítes

  • Entre outras condições


Identificar corretamente a causa do edema macular é essencial para definir a estratégia terapêutica mais adequada.


Sintomas do edema macular


Os sintomas do edema macular variam conforme a doença de base e a gravidade do edema. Os mais comuns incluem:


  • Redução ou distorção da visão central

  • Presença de escotomas (manchas escuras no campo visual)

  • Alterações no campo visual

  • Distorção da imagem (metamorfopsias), especialmente em linhas retas

  • Alteração na percepção das cores


Em algumas situações, como no edema macular clinicamente significativo, o quadro pode ser inicialmente assintomático, sendo detectado apenas em exames de rotina.


Pacientes com síndrome de Irvine-Gass geralmente apresentam boa visão logo após a cirurgia de catarata, seguida de piora progressiva ao longo das semanas.


Na degeneração macular relacionada à idade, a queixa mais frequente é a distorção visual, especialmente ao observar linhas retas.


Como é feito o diagnóstico do edema macular?


edema macular

Para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão do edema, o oftalmologista pode solicitar exames complementares, como:


  • Tomografia de Coerência Óptica (OCT macular)

  • Teste de acuidade visual

  • Exame de fundo de olho

  • Campimetria (campo visual)

  • Tela de Amsler

  • Angiografia fluoresceínica


A OCT é considerada o exame mais importante, pois permite visualizar com precisão o acúmulo de líquido e o padrão do edema na mácula.


Edema macular diabético


edema macular

O edema macular diabético é uma das complicações mais graves do diabetes mellitus e representa uma das principais causas de perda visual em pacientes diabéticos.


Ele surge como consequência da retinopatia diabética, condição causada pela hiperglicemia crônica, que danifica os vasos sanguíneos da retina. O excesso de glicose no sangue aumenta a permeabilidade vascular, favorecendo o extravasamento de líquido e proteínas para a retina e a mácula.


O fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) desempenha papel central nesse processo, pois enfraquece as junções entre as células dos vasos, facilitando o vazamento de líquido e a formação do edema.


Sem diagnóstico e tratamento adequados, o edema macular diabético pode levar à perda visual severa e até cegueira. Por isso, a prevenção e o acompanhamento oftalmológico regular são fundamentais.


Edema macular cistóide


O edema macular cistóide descreve a presença de múltiplos espaços preenchidos por líquido dentro das camadas da retina, localizados na mácula.


Normalmente, as células da mácula estão organizadas de forma regular. Quando ocorre o edema, essa arquitetura é distorcida, resultando em redução da visão central e metamorfopsias. Quadros prolongados ou recorrentes podem causar dano irreversível às células retinianas.


Principais causas do edema macular cistóide


🔹 Após cirurgia de catarata

A maioria dos casos ocorre após cirurgias intraoculares, mesmo quando não há complicações.

Atualmente, a forma clinicamente significativa é rara, acometendo cerca de 1% dos pacientes.

O trauma cirúrgico desencadeia liberação de substâncias inflamatórias, como prostaglandinas e citocinas, que aumentam a permeabilidade vascular e favorecem o extravasamento de líquido. Em aproximadamente 90% dos casos, há recuperação visual satisfatória.


🔹 Oclusões venosas da retina

Quando uma veia da retina é obstruída, ocorre aumento da pressão dentro do vaso, levando ao vazamento de fluido para a mácula e formação do edema.


🔹 Tração vitreorretiniana

Membranas na superfície da retina podem se contrair, separando as camadas retinianas e causando inflamação e edema macular.


🔹 Uso de medicamentos

Alguns medicamentos, como a niacina e colírios à base de latanoprosta (utilizados no tratamento do glaucoma), já foram associados ao edema macular cistóide.


🔹 Outras causas

Tumores oculares (melanoma, hemangioma), radiação ocular prévia, infecções como citomegalovírus, retinite pigmentar e doença de Coats também podem estar relacionados.


Tratamento do edema macular


O tratamento do edema macular depende diretamente da causa, da extensão do edema e do impacto na visão. O diagnóstico precoce é determinante para melhores resultados.


Em muitos casos, tratar a doença de base é suficiente para controlar o edema. Por exemplo, infecções por citomegalovírus são tratadas com antivirais específicos.


Na síndrome de Irvine-Gass, o tratamento geralmente envolve:


  • Corticoides tópicos (como prednisolona)

  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) tópicospor períodos prolongados.


Edemas persistentes podem exigir:


  • Acetazolamida

  • Injeções intravítreas de triancinolona

  • Vitrectomia, em casos selecionados


Pacientes com doenças vasculares da retina podem se beneficiar de fotocoagulação a laser, enquanto quadros inflamatórios exigem controle rigoroso da inflamação.


O uso de anti-VEGF vem ganhando destaque, especialmente em casos associados à oclusão venosa da retina e ao edema macular diabético, com resultados bastante positivos.


Tratamento do edema macular diabético


No edema macular diabético, o primeiro passo é o controle rigoroso do diabetes, da pressão arterial e das dislipidemias.

A fotocoagulação a laser com argônio continua sendo uma opção eficaz quando bem indicada.


Atualmente, os tratamentos mais utilizados incluem:


  • Injeções intravítreas de anti-VEGF

  • Corticoides intravítreos


Essas terapias apresentam resultados amplamente reconhecidos na preservação e recuperação da visão.


Como prevenir o edema macular?


A prevenção do edema macular está diretamente relacionada ao controle dos fatores de risco e ao diagnóstico precoce.


Medidas essenciais incluem:

  • Controle adequado da glicemia

  • Controle da pressão arterial

  • Controle do colesterol

  • Consultas oftalmológicas regulares


O acompanhamento com o oftalmologista permite identificar alterações iniciais e iniciar o tratamento antes que ocorram danos irreversíveis à visão.

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