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Episclerite

  • Foto do escritor: Dra. Alléxya Affonso
    Dra. Alléxya Affonso
  • 30 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

olho com episclerite

A saúde ocular depende de diversas estruturas do olho, muitas vezes desconhecidas do grande público. Entre elas está a episclera, uma camada importante que pode ser acometida por inflamações como a episclerite. Embora seja uma condição geralmente benigna, merece atenção para que seja feita a distinção correta em relação a doenças mais graves, como a esclerite.


O que é a episclera?


A episclera é uma fina camada de tecido conjuntivo vascular que recobre a esclera (o “branco dos olhos”). Ela ocupa cerca de cinco sextos da túnica externa do globo ocular, estendendo-se desde a córnea até o nervo óptico.


O que é episclerite?


A episclerite é a inflamação da episclera. É considerada uma doença ocular relativamente comum, benigna e autolimitada, que pode afetar pessoas de ambos os sexos e em qualquer idade.


Existem dois tipos principais de episclerite:


  • Episclerite simples ou difusa: caracterizada por congestão dos vasos sanguíneos em uma área difusa da episclera, podendo afetar apenas um segmento ou todo o olho.

  • Episclerite nodular: apresenta-se como uma área localizada e bem delimitada de inflamação na episclera.


Diferença entre episclerite e esclerite


Apesar de semelhantes em alguns sinais clínicos, episclerite e esclerite são doenças diferentes.


  • Na episclerite, a inflamação ocorre na camada superficial (episclera), sendo geralmente benigna.

  • Na esclerite, a inflamação compromete a esclera (camada mais profunda), com maior risco de complicações e comprometimento da visão.


O diagnóstico diferencial deve ser feito pelo oftalmologista por meio de um exame minucioso, que avalia a profundidade da inflamação e o padrão vascular envolvido.


Causas da episclerite


Na maioria dos casos, a episclerite é idiopática, ou seja, sem causa identificável. Entretanto, pode estar associada a condições inflamatórias sistêmicas, como:

  • Artrite reumatoide;

  • Colite ulcerativa;

  • Doença de Crohn;

  • Poliarterite nodosa;

  • Lúpus eritematoso sistêmico;

  • Granulomatose de Wegener.


A episclerite nodular, em especial, apresenta maior chance de estar relacionada a doenças sistêmicas.


Embora raras, causas infecciosas também podem estar envolvidas, incluindo:

  • Herpes simples e herpes zoster;

  • Doença de Lyme;

  • Sífilis;

  • Hepatite B;

  • Brucelose.


Mais excepcionalmente, fungos, parasitas, traumas oculares, corpos estranhos e contato com produtos químicos podem desencadear a inflamação.


Sintomas de episclerite


Os sintomas variam conforme o tipo e a gravidade da inflamação. Os mais comuns incluem:

  • Olho vermelho;

  • Ardência ocular;

  • Dor (mais rara, mas possível, especialmente na forma nodular).


Em muitos casos, a episclerite é assintomática e pode ser detectada apenas em exame oftalmológico de rotina.


A episclerite tem cura?


Sim. Na maior parte das vezes, a episclerite tem evolução benigna e autolimitada, resolvendo-se em poucos dias ou semanas, especialmente quando diagnosticada precocemente e tratada de forma adequada.


Tratamento da episclerite


O tratamento varia de acordo com a causa:

  • Casos leves: podem melhorar espontaneamente em 7 a 10 dias; o uso de lágrimas artificiais ajuda a aliviar sintomas como ardor e desconforto.

  • Casos mais graves ou nodulares: podem necessitar de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) tópicos ou orais, ou ainda corticoides tópicos sob orientação médica.

  • Quando há doença sistêmica associada: o controle da condição de base é essencial para prevenir recidivas.


Na episclerite nodular, o tempo de resolução costuma ser maior (5 a 6 semanas). Embora complicações sejam raras, podem ocorrer, como o aumento da pressão intraocular (glaucoma).


Conclusão


A episclerite é uma condição inflamatória relativamente comum, na maioria das vezes benigna, mas que requer avaliação oftalmológica para o diagnóstico correto e para diferenciar de doenças mais graves, como a esclerite.


Se você perceber olho vermelho persistente, dor ou desconforto ocular, procure um oftalmologista. O diagnóstico precoce garante não apenas o tratamento adequado, mas também a tranquilidade de manter sua visão saudável.

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