Fotofobia (Sensibilidade à Luz)
- Dra. Alléxya Affonso
- 15 de out. de 2025
- 4 min de leitura

Fotofobia é a sensibilidade anormal à luz que causa dor e desconforto nos olhos. Saiba quais são as causas, sintomas e tratamentos indicados pelo oftalmologista.
Fotofobia (Sensibilidade à Luz): causas, sintomas e tratamento
A fotofobia é o termo médico utilizado para descrever a sensibilidade anormal à luz, seja ela natural, como a luz solar, ou artificial, proveniente de lâmpadas e telas. Essa condição provoca desconforto visual, dor ou sensação de ardência quando os olhos são expostos à claridade.
A fotofobia pode estar relacionada a diversas doenças oculares ou neurológicas, mas também pode ocorrer em pessoas saudáveis, especialmente naquelas com olhos claros. O incômodo varia de leve irritação à luz até uma intolerância intensa, que impede o paciente de manter os olhos abertos.
O que é fotofobia?
A fotofobia ocular é uma reação exagerada das células sensíveis à luz da retina (os fotorreceptores), que passam a não tolerar a exposição luminosa. Em alguns casos, trata-se apenas de uma maior sensibilidade individual, enquanto em outros, pode indicar alguma doença ocular ou sistêmica.
Pessoas com olhos claros; verdes, azuis ou castanho-claros, apresentam maior sensibilidade à claridade, pois possuem menor quantidade de pigmento na íris, o que reduz a proteção natural contra a luz. Já os olhos escuros contêm mais pigmento, funcionando como um “filtro” natural.
Embora essa diferença seja fisiológica e não uma doença, quem tem olhos claros deve proteger-se adequadamente da luz solar e de ambientes muito iluminados.
Nos casos mais graves, a fotofobia pode causar dor intensa mesmo sob luz suave. Esse tipo de sensibilidade costuma indicar alguma alteração ocular ou neurológica que precisa ser investigada por um oftalmologista.
A fotofobia severa em olhos saudáveis é rara, mas pode ocorrer em situações específicas, por exemplo, em pessoas com pupilas dilatadas (midríase), já que quanto maior a pupila, maior é a quantidade de luz que atinge a retina.
Causas da fotofobia
A fotofobia pode ter múltiplas causas, tanto oculares quanto neurológicas ou sistêmicas. Entre as principais doenças dos olhos que provocam sensibilidade à luz, destacam-se:
Conjuntivite;
Glaucoma;
Uveíte;
Blefarite;
Ceratite (inflamação da córnea);
Episclerite e esclerite;
Calázio;
Descolamento de retina;
Úlcera de córnea;
Doenças congênitas da retina.
Além das causas oculares, a fotofobia também pode ocorrer em situações externas ou sistêmicas, como:
Uso excessivo de lentes de contato (ou lentes danificadas);
Pós-operatório de cirurgias oculares;
Astigmatismo não corrigido, que causa distorções visuais e aumento da sensibilidade à luz;
Doenças neurológicas, como meningite;
Alergias e sinusites;
Enxaqueca (crises de dor de cabeça frequentemente acompanhadas de fotofobia);
Albinismo (deficiência de pigmentação ocular);
Deficiência de cor total (visão apenas em tons de cinza);
Intoxicação por substâncias químicas (como mercúrio ou anfetaminas);
Infecções virais graves, como raiva ou botulismo.
A fotofobia infantil também pode ocorrer por diferentes motivos, desde doenças oculares congênitas até fatores genéticos ou características anatômicas dos olhos da criança.
É importante lembrar que algumas medicações podem ter a sensibilidade à luz como efeito colateral, e o médico deve ser informado em caso de sintomas após o início de um tratamento.
Sintomas de fotofobia
Os sintomas da fotofobia variam conforme a causa e a intensidade da luz. Entre os sinais mais comuns estão:
Desconforto ao olhar para a luz;
Dor nos olhos (sobretudo sob claridade intensa);
Vermelhidão ocular;
Visão turva ou embaçada;
Ardência ou sensação de areia nos olhos;
Lacrimejamento excessivo;
Inchaço nas pálpebras;
Dor de cabeça ou sensação de peso ao redor dos olhos.
Pessoas com fotofobia costumam sentir alívio ao fechar os olhos ou permanecer em ambientes escuros. Nos casos mais severos, até mesmo uma luz ambiente moderada pode ser insuportável.
Fotofobia tem cura?
A fotofobia não é uma doença em si, mas sim um sintoma de outras condições. Por isso, a cura depende do tratamento da causa subjacente.
Quando a fotofobia está associada a inflamações oculares, como conjuntivite ou ceratite, o tratamento adequado resolve o problema. Já nos casos em que a sensibilidade é natural (como em pessoas com olhos claros), o foco deve ser na proteção ocular e prevenção.
Tratamento da fotofobia
O tratamento da fotofobia depende da causa identificada pelo oftalmologista. Em todos os casos, a abordagem visa reduzir o desconforto e proteger os olhos da luz excessiva.
Tratamento da causa
Quando a fotofobia é consequência de uma doença ocular, como conjuntivite, ceratite ou uveíte, o tratamento específico dessas condições costuma eliminar o sintoma.
Se a sensibilidade está relacionada ao uso de medicações, é fundamental conversar com o médico responsável para avaliar alternativas.
Medidas de proteção e prevenção
Pessoas naturalmente sensíveis à luz podem adotar algumas medidas simples para aliviar os sintomas:
Usar óculos escuros com proteção UV 100%;
Optar por lentes polarizadas, que reduzem o brilho e reflexos;
Lentes fotossensíveis (Transitions®), que escurecem automaticamente na presença de luz solar;
Chapéus com abas largas em dias ensolarados;
Evitar ambientes com iluminação muito intensa;
Manter os olhos hidratados com colírios lubrificantes recomendados pelo oftalmologista.
Em casos graves, o especialista pode indicar o uso de lentes de contato estéticas com filtro de luz, que ajudam a reduzir a entrada luminosa e trazem conforto.
Durante períodos de crise, é importante descansar os olhos, fechar cortinas e evitar luzes artificiais fortes.
Quando procurar um oftalmologista
A fotofobia ocasional pode ser comum, mas quando o sintoma é frequente, intenso ou acompanhado de dor, vermelhidão ou visão turva, é essencial buscar avaliação médica especializada.
O oftalmologista fará o diagnóstico diferencial e indicará o tratamento adequado conforme a causa identificada.

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