Injeções intravítreas
- Dra. Alléxya Affonso

- 5 de nov. de 2025
- 3 min de leitura

O que são as injeções intravítreas, quando são indicadas e quais medicamentos são usados??
Saiba tudo sobre as injeções intravítreas usadas no tratamento de doenças da retina. Entenda as diferenças entre Avastin, Lucentis, Eylia, Eylia HD, Vabysmo, Triancinolona e Ozurdex, suas indicações e efeitos.
O que são as injeções intravítreas
As injeções intravítreas são procedimentos realizados em ambiente estéril, com o objetivo de administrar medicamentos diretamente no vítreo, a substância gelatinosa que preenche o interior do olho.
Essa via de aplicação permite que o medicamento aja diretamente sobre a retina e o nervo óptico, alcançando altas concentrações no local afetado e com menor risco de efeitos colaterais sistêmicos.
As injeções intravítreas revolucionaram o tratamento de diversas doenças da retina e mácula, como:
Degeneração macular relacionada à idade (DMRI);
Edema macular diabético;
Oclusões venosas da retina;
Neovascularização por miopia ou inflamação;
Uveítes e outras doenças inflamatórias oculares.
Principais medicamentos usados em injeções intravítreas
Atualmente, existem diferentes medicamentos aprovados e amplamente utilizados. Cada um tem características próprias, e a escolha depende da doença tratada, da resposta individual e da avaliação do oftalmologista.
A seguir, conheça os principais fármacos utilizados:
Avastin® (Bevacizumabe)
Indicações:
Degeneração macular relacionada à idade (forma úmida);
Edema macular diabético;
Oclusões de veia central ou de ramo da retina.
Vantagens:
Boa eficácia clínica e segurança comprovada;
Custo mais acessível em relação a outras drogas anti-VEGF;
Opção amplamente utilizada em todo o mundo.
Efeitos colaterais:
Dor leve no olho após a aplicação;
Pequena hemorragia subconjuntival;
Risco (raro) de infecção intraocular (endoftalmite).
Contraindicações:
Infecção ocular ativa;
Alergia a algum componente da fórmula;
Gravidez e lactação (uso deve ser avaliado individualmente).
Lucentis® (Ranibizumabe)
Indicações:
DMRI úmida;
Edema macular diabético;
Oclusões venosas da retina;
Neovascularização miópica.
Vantagens:
Alta seletividade e excelente perfil de segurança;
Rápida absorção e menor risco de efeitos sistêmicos;
Resultados visuais consistentes em longo prazo.
Efeitos colaterais:
Irritação ocular temporária;
Aumento transitório da pressão intraocular;
Raro risco de inflamação intraocular.
Contraindicações:
Infecção ocular ou periocular ativa;
Hipersensibilidade conhecida ao ranibizumabe.
Eylia® (Aflibercepte)
Indicações:
DMRI úmida;
Edema macular diabético;
Oclusões venosas retinianas;
Neovascularização coroidal miópica.
Vantagens:
Intervalo maior entre aplicações (a cada 8 a 12 semanas em muitos casos);
Alta afinidade pelo fator de crescimento vascular endotelial (VEGF);
Excelente eficácia em controle de edema e exsudação.
Efeitos colaterais:
Pequeno desconforto ocular;
Raro risco de endoftalmite ou inflamação intraocular.
Contraindicações:
Infecção ocular ativa;
Hipersensibilidade ao aflibercepte.
Eylia HD® (Aflibercepte 8 mg)
Indicações:
As mesmas do Eylia tradicional, com foco em DMRI úmida e edema macular diabético.
Vantagens:
Maior concentração da molécula, permitindo intervalos ainda mais longos entre aplicações (até 4 meses em alguns casos);
Reduz a necessidade de visitas frequentes ao oftalmologista.
Efeitos colaterais e contraindicações:
Semelhantes aos do Eylia convencional, com perfil de segurança equivalente.
Vabysmo® (Faricimabe)
Indicações:
DMRI úmida;
Edema macular diabético.
Vantagens:
Atua em dois alvos (VEGF-A e Ang-2), proporcionando maior estabilidade da barreira vascular;
Possibilidade de espaçar aplicações até 16 semanas;
Excelente eficácia visual e anatômica.
Efeitos colaterais:
Leve irritação ocular após o procedimento;
Inflamação intraocular (rara).
Contraindicações:
Infecção intraocular ativa;
Alergia ao faricimabe.
Triancinolona (Acetonida de triancinolona)
Indicações:
Uveítes não infecciosas;
Edema macular diabético refratário;
Edema pós-cirúrgico.
Vantagens:
Efeito anti-inflamatório potente;
Reduz edema e inflamação rapidamente;
Boa alternativa em casos resistentes ao anti-VEGF.
Efeitos colaterais:
Aumento da pressão intraocular;
Formação de catarata com uso repetido;
Raro risco de infecção ocular.
Contraindicações:
Glaucoma não controlado;
Infecção ocular ativa;
Hipersensibilidade a corticosteroides.
Ozurdex® (implante intravítreo de dexametasona)
Indicações:
Edema macular diabético;
Edema por oclusão venosa da retina;
Uveítes não infecciosas do segmento posterior.
Vantagens:
Implante biodegradável com liberação prolongada do medicamento (até 4-6 meses);
Reduz a frequência de aplicações;
Melhora rápida da inflamação e do edema.
Efeitos colaterais:
Aumento transitório da pressão intraocular;
Risco de formação de catarata em tratamentos prolongados.
Contraindicações:
Glaucoma não controlado;
Infecção ocular ativa;
Cirurgias oculares recentes (avaliar caso a caso).
Segurança e cuidados após a aplicação
As injeções intravítreas são seguras e eficazes, quando realizadas por oftalmologistas experientes e em condições assépticas. Após o procedimento, o paciente pode apresentar leve desconforto ocular e visão embaçada temporária, que melhoram em poucas horas.
É fundamental seguir as orientações médicas, usar os colírios prescritos e comparecer às consultas de acompanhamento.
Conclusão
As injeções intravítreas representam um dos maiores avanços da oftalmologia moderna, permitindo tratar doenças graves da retina com excelentes resultados visuais.
A escolha do medicamento Avastin, Lucentis, Eylia, Eylia HD, Vabysmo, Triancinolona ou Ozurdex, depende do diagnóstico e da resposta de cada paciente.
Se você foi indicado para esse tipo de tratamento, converse com seu oftalmologista para entender qual opção é mais adequada ao seu caso. O tratamento correto e o acompanhamento contínuo são essenciais para preservar sua visão e qualidade de vida.




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