Ptose palpebral (pálpebra caída)
- Dra. Alléxya Affonso

- 14 de nov. de 2025
- 4 min de leitura

Saiba o que é ptose palpebral (pálpebra caída), por que acontece, como é diagnosticada e quais são os tratamentos, desde observação até cirurgia, em adultos e crianças.
O que é ptose palpebral?
A ptose palpebral, também chamada de pálpebra caída, acontece quando a pálpebra superior se posiciona mais abaixo do que o normal, cobrindo parte da córnea. Em alguns casos isso prejudica a visão; em outros, o impacto é mais estético. A ptose pode afetar apenas um lado (unilateral), situação mais comum, ou os dois olhos (bilateral). Qualquer pessoa, de qualquer idade e gênero, pode apresentar ptose.
As descrições usadas pelos pacientes são variadas: “pálpebra caída”, “queda da pálpebra”, “pálpebra descaída” ou “pálpebras flácidas”. A gravidade varia desde formas leves, quase imperceptíveis, até quadros em que a pálpebra cobre totalmente a pupila, situação que pode levar a danos visuais permanentes, como a ambliopia.
Quando a ptose aparece: congênita e adquirida
Ptose congênita
A ptose congênita está presente desde o nascimento. Quando significativa, pode interferir no desenvolvimento visual da criança e provocar ambliopia (olho preguiçoso). Por isso, toda criança com pálpebra caída deve ser avaliada por um oftalmologista o quanto antes, já que pode haver outras alterações oculares associadas.
Ptose adquirida
A ptose adquirida surge ao longo da vida. O envelhecimento é a causa mais frequente, mas também pode ocorrer após cirurgias oculares (por exemplo, pós-catarata), traumas, doenças neuromusculares ou lesões dos nervos que controlam a pálpebra. Embora seja mais comum em idosos, adultos e jovens também podem ser afetados.
Principais causas da ptose palpebral
As causas variam conforme a faixa etária:
Em adultos: alongamento ou separação do tendão do músculo levantador da pálpebra (frequente no envelhecimento); sequelas de cirurgias oculares; traumas; doenças neurológicas ou musculares; e, raramente, tumores orbitários. Paralisias de nervos oculares associadas a diabetes ou hipertensão também podem provocar ptose.
Em crianças (congênita): desenvolvimento deficiente do músculo responsável por elevar a pálpebra, o que impede que ela assuma posição normal desde o nascimento.
Fatores anatômicos faciais também podem dificultar o movimento normal da pálpebra.
Quais são os sinais e sintomas?
O sinal mais evidente é a queda da pálpebra. Dependendo da intensidade, a ptose pode causar:
Dificuldade para enxergar, especialmente se a pálpebra cobrir a pupila;
Inclinação da cabeça para trás ou elevação constante das sobrancelhas para tentar abrir mais os olhos;
Visão turva ou indefinição das imagens;
Possível astigmatismo causado pelo peso da pálpebra sobre a córnea;
Em crianças, risco de ambliopia se a visão ficar obstruída;
A ptose pode mascarar ou estar associada a estrabismo (olhos desalinhados), outro fator de ambliopia.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por um médico oftalmologista. A avaliação inclui:
exame detalhado da posição palpebral;
medições da altura da pálpebra e da função do músculo levantador;
avaliação da força muscular e do movimento ocular;
exames complementares quando indicados (para investigar causas neurológicas, musculares ou orbitárias).
A história clínica e o exame orientam a conduta e eventuais exames adicionais.
A ptose tem cura?
Sim, na maioria dos casos a ptose palpebral pode ser corrigida. A opção de tratamento depende de vários fatores: idade, grau da ptose, força do músculo levantador, se a condição é unilateral ou bilateral, e se há comprometimento da visão (especialmente em crianças).
Tratamento da ptose palpebral
O tratamento varia conforme a causa e a gravidade:
Observação e acompanhamento: em casos leves ou quando existe possibilidade de melhora espontânea (ex.: ptose leve em crianças que é monitorada para evitar cirurgia precoce).
Correção clínica (em crianças): se houver risco de ambliopia, pode ser necessário tratamento com oclusão (tapar o olho contralateral), óculos ou colírios, antes ou junto com a cirurgia.
Cirurgia: é a solução mais comum quando há repercussão funcional ou estética significativa.
Tipos de intervenção cirúrgica
A cirurgia busca reposicionar ou reforçar os músculos que elevam a pálpebra:
Encurtamento do músculo levantador: técnica usada com frequência para melhorar a elevação palpebral;
Suspensão à sobrancelha (frontal sling): indicada quando o músculo levantador é muito fraco; a pálpebra é ligada aos músculos da testa para que estes auxiliem na elevação;
Pequenas alterações no músculo levantador combinadas com blefaroplastia (remoção de excesso de pele) podem ser suficientes em casos menos graves.
Riscos e recuperação da cirurgia
Como qualquer operação, a correção da ptose tem riscos, embora complicações graves sejam incomuns. Possíveis eventos incluem infecção, sangramento, olho seco e, raramente, perda parcial do movimento palpebral. Medidas profiláticas, como antibioticoterapia quando indicada, minimizam esses riscos.
O pós-operatório costuma ser tranquilo: a recuperação inicial dura alguns dias e a recuperação total aproxima-se de 2 a 3 semanas. O paciente geralmente retorna às atividades habituais em curto prazo, seguindo as orientações do cirurgião (uso de medicamentos, cuidados com exposição a poeira, evitar esforço físico intenso por alguns dias etc.).
Conclusão
A ptose palpebral é uma condição tratável que pode afetar tanto a visão quanto a aparência estética. Em crianças, a detecção e o tratamento precoces são fundamentais para prevenir ambliopia. Em adultos, além da melhora visual, a correção frequentemente traz ganho estético e de autoestima. Se você ou alguém da família notar queda da pálpebra, procure um oftalmologista para avaliação e orientação personalizada.




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