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Trabeculectomia

  • Foto do escritor: Dra. Alléxya Affonso
    Dra. Alléxya Affonso
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura
Trabeculectomia



Saiba o que é a trabeculectomia, quando a cirurgia para glaucoma é indicada, como é realizada, quais são os riscos, recuperação e taxa de sucesso no controle da pressão ocular.


O que é a trabeculectomia?


A trabeculectomia é uma das cirurgias mais tradicionais e eficazes para o tratamento do glaucoma. Seu principal objetivo é reduzir a pressão intraocular por meio da criação de uma nova via de drenagem para o humor aquoso, líquido produzido continuamente no interior do olho.


Durante o procedimento, o cirurgião cria uma pequena comunicação entre a câmara anterior do olho e o espaço localizado sob a conjuntiva. Esse novo trajeto permite que o humor aquoso seja drenado de forma controlada, diminuindo a pressão intraocular e reduzindo o risco de progressão da doença.


A cirurgia não recupera a visão já perdida pelo glaucoma, mas é fundamental para preservar a visão remanescente, retardando ou impedindo novos danos ao nervo óptico.


Trabeculectomia no tratamento do glaucoma


O glaucoma é uma doença ocular crônica caracterizada pela lesão progressiva do nervo óptico, geralmente associada ao aumento da pressão intraocular.


Quando não tratado adequadamente, pode provocar perda irreversível do campo visual e, nos casos mais avançados, levar à cegueira.


O tratamento tem como principal objetivo reduzir a pressão intraocular para um nível seguro, diminuindo a velocidade de progressão da doença.


Inicialmente, esse controle costuma ser realizado com:

  • Colírios hipotensores;

  • Tratamento a laser, quando indicado;

  • Acompanhamento periódico.


Quando essas medidas deixam de controlar adequadamente a pressão ocular ou quando a doença continua progredindo, a cirurgia passa a ser uma opção importante.


A trabeculectomia é considerada o procedimento cirúrgico de referência para muitos pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto, especialmente quando o tratamento clínico não consegue atingir a pressão-alvo.


Como é realizada a trabeculectomia?


A cirurgia é normalmente realizada em centro cirúrgico, sob anestesia local associada à sedação, proporcionando conforto durante todo o procedimento.


As principais etapas incluem:

  • abertura da conjuntiva;

  • confecção de um retalho escleral parcial;

  • criação de uma pequena abertura que comunica a câmara anterior com o espaço subconjuntival;

  • realização de uma iridectomia periférica, quando indicada;

  • fechamento cuidadoso do retalho escleral e da conjuntiva com suturas específicas.


Ao final da cirurgia, forma-se uma pequena elevação sob a conjuntiva, conhecida como bolha filtrante, responsável pela drenagem do humor aquoso.

Todo o procedimento costuma durar entre 30 e 60 minutos, dependendo da complexidade do caso.


A trabeculectomia é uma cirurgia a laser?


Apesar de algumas pessoas chamarem o procedimento de "trabeculectomia a laser", essa denominação não está correta.


A trabeculectomia é uma cirurgia convencional, realizada com instrumentos microcirúrgicos.

Os tratamentos a laser para glaucoma, como a trabeculoplastia seletiva a laser (SLT) ou a iridotomia a laser, são procedimentos diferentes, indicados para situações específicas.


Portanto, embora o laser seja utilizado em outras modalidades de tratamento do glaucoma, ele não faz parte da técnica tradicional da trabeculectomia.


Uso da mitomicina durante a cirurgia


Durante a trabeculectomia, é comum utilizar um medicamento chamado mitomicina C.

Esse agente antifibrótico reduz a cicatrização excessiva da região operada, aumentando as chances de que a nova via de drenagem permaneça aberta por mais tempo.


O uso da mitomicina contribui para:

  • maior taxa de sucesso da cirurgia;

  • melhor funcionamento da bolha filtrante;

  • menor risco de falha por cicatrização precoce.


A decisão sobre sua utilização depende das características individuais de cada paciente.


Quais são os riscos da trabeculectomia?


Assim como qualquer procedimento cirúrgico, a trabeculectomia apresenta riscos, embora a maioria das complicações seja pouco frequente quando realizada por cirurgião experiente.


Entre as possíveis complicações estão:

  • aumento ou redução excessiva da pressão intraocular;

  • sangramento durante a cirurgia;

  • hemorragia subconjuntival;

  • hifema (sangramento na câmara anterior);

  • vazamento pela sutura conjuntival;

  • inflamação ocular;

  • câmara anterior rasa ou temporariamente reduzida;

  • descolamento de coroide;

  • infecção ocular (endoftalmite), situação rara, porém grave;

  • formação ou progressão de catarata;

  • cicatrização excessiva da bolha filtrante, reduzindo a eficácia da cirurgia.


O acompanhamento pós-operatório é fundamental para identificar precocemente qualquer alteração e realizar o tratamento adequado.


Pós-operatório da trabeculectomia


Os cuidados após a cirurgia são decisivos para o sucesso do procedimento.


Nos primeiros dias, é comum ocorrer:

  • discreta vermelhidão ocular;

  • sensação de corpo estranho;

  • leve desconforto;

  • visão temporariamente embaçada.


Durante esse período, o oftalmologista prescreve colírios antibióticos e anti-inflamatórios para reduzir o risco de infecção e controlar a cicatrização.


As consultas de revisão costumam ser frequentes nas primeiras semanas para monitorar:

  • pressão intraocular;

  • funcionamento da bolha filtrante;

  • cicatrização;

  • necessidade de ajustes nas suturas.


Recuperação da cirurgia


A recuperação varia de paciente para paciente.


Em geral:

  • o retorno às atividades leves ocorre em poucos dias;

  • esforços físicos intensos devem ser evitados nas primeiras semanas;

  • não é recomendado esfregar os olhos;

  • atividades aquáticas e esportes de contato devem ser suspensos temporariamente.


A estabilização completa da pressão ocular pode levar algumas semanas ou meses, dependendo da resposta cicatricial individual.


A trabeculectomia cura o glaucoma?


Não.

A trabeculectomia não cura o glaucoma, pois a doença é crônica.

Seu objetivo é controlar a pressão intraocular para impedir ou retardar a progressão do dano ao nervo óptico.


Mesmo após uma cirurgia bem-sucedida, o paciente deverá manter acompanhamento oftalmológico regular por toda a vida.


Em alguns casos, ainda pode ser necessário utilizar colírios ou realizar novos procedimentos para manter a pressão intraocular sob controle.


Taxa de sucesso da trabeculectomia


A trabeculectomia apresenta altas taxas de sucesso no controle da pressão intraocular, especialmente quando indicada no momento adequado.


Os resultados dependem de diversos fatores, incluindo:

  • tipo de glaucoma;

  • estágio da doença;

  • idade do paciente;

  • resposta cicatricial;

  • uso adequado dos medicamentos pós-operatórios;

  • acompanhamento regular.


Embora muitos pacientes consigam excelente controle da pressão apenas com a cirurgia, alguns podem necessitar de tratamento complementar ao longo do tempo.


Quanto custa uma trabeculectomia?


O custo da cirurgia pode variar conforme diversos fatores, como:

  • hospital onde será realizada;

  • equipe cirúrgica;

  • cobertura por convênio ou plano de saúde;

  • necessidade de materiais específicos.


Após avaliação completa, o oftalmologista poderá definir a indicação cirúrgica, esclarecer todas as dúvidas e fornecer um orçamento individualizado.


Considerações finais


A trabeculectomia continua sendo uma das cirurgias mais eficazes para o tratamento do glaucoma, especialmente quando os colírios e outros tratamentos não conseguem controlar adequadamente a pressão intraocular.


O diagnóstico precoce, o acompanhamento regular e a indicação cirúrgica no momento adequado são fundamentais para preservar a visão e evitar a progressão da doença.


Pacientes com glaucoma devem manter seguimento contínuo com o oftalmologista, mesmo após a cirurgia, garantindo controle adequado da pressão ocular e proteção do nervo óptico a longo prazo.

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