Xeroftalmia (Olho Seco)
- Dra. Alléxya Affonso

- há 1 dia
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O que é xeroftalmia?
Xeroftalmia é o nome clínico dado a uma condição ocular na qual os olhos não conseguem produzir lágrimas em quantidade suficiente ou produzem lágrimas de qualidade inadequada. O resultado direto disso é a falta de lubrificação da córnea, levando ao que chamamos popularmente de olho seco.
Você pode encontrar essa condição descrita por outros nomes na literatura médica: queratomalacia, ceratite xerótica ou ceratoconjuntivite seca. Independentemente da nomenclatura, o impacto na qualidade de vida do paciente é real e merece atenção especializada.
Por que as lágrimas são tão importantes?
As lágrimas não são apenas água. Elas possuem uma composição bioquímica sofisticada, com proteínas e outros componentes essenciais que nutrem, hidratam e protegem as células da córnea, a camada transparente localizada na parte frontal do olho. Além disso, as lágrimas formam uma barreira natural contra infecções, mantendo a superfície ocular saudável.
Quando esse sistema falha, a conjuntiva e a córnea começam a se deteriorar: a córnea perde transparência, fica com aspecto seco e enrugado, e as glândulas lacrimais podem ser progressivamente comprometidas. Em casos sem tratamento, a doença pode evoluir para quadros graves, como a ceratomalacia, em que úlceras perfuram a córnea, podendo causar cegueira irreversível.
Como a xeroftalmia é diagnosticada?
O diagnóstico é feito principalmente pelo Teste de Schirmer, um exame simples e indolor que avalia tanto o volume quanto a qualidade da produção lacrimal. O oftalmologista analisa os resultados e, se necessário, solicita exames complementares para identificar causas associadas.
É importante destacar que a xeroftalmia é mais frequentemente diagnosticada em crianças desnutridas, idosos e populações em regiões com menor acesso à saúde, embora possa afetar qualquer pessoa, independentemente da idade ou condição social.
Quais são as causas da xeroftalmia?
As origens do olho seco são variadas e podem envolver fatores ambientais, comportamentais e até sistêmicos. Conheça as principais:
Fatores ambientais e de estilo de vida:
• Exposição prolongada ao ar-condicionado ou aquecedores • Ambientes com fumaça de cigarro, poluição ou clima muito seco • Uso excessivo de telas (computadores, celulares, tablets) • Uso prolongado ou incorreto de lentes de contato • Abuso de cosméticos e maquiagens na região ocular
Fatores relacionados à idade: Com o passar dos anos, o organismo naturalmente reduz a produção de lágrimas, tornando os idosos mais suscetíveis ao ressecamento ocular.
Medicamentos: Alguns fármacos de uso contínuo podem interferir na função lacrimal, como anti-histamínicos, descongestionantes, antidepressivos, tranquilizantes, anticoncepcionais, diuréticos, anestésicos e medicamentos para hipertensão arterial.
Doenças sistêmicas: A xeroftalmia também pode surgir como manifestação de condições como hipotireoidismo, artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, sarcoidose e a Síndrome de Sjögren (uma doença autoimune que compromete diretamente as glândulas responsáveis pela produção de lágrimas e saliva).
Sintomas: quando suspeitar de xeroftalmia?
Os sinais variam de leves a graves. Fique atento se você apresentar:
• Desconforto persistente nos olhos: sensação de areia, ardência, coceira ou ressecamento • Vista cansada após uso de telas ou leitura • Sensibilidade à luz (fotofobia) • Visão turva em momentos do dia • Dificuldade de enxergar à noite (cegueira noturna) um dos sintomas mais característicos da xeroftalmia • Manchas de Bitot: manchas brancas acinzentadas, ovais ou irregulares, ricas em queratina, que surgem sobre a conjuntiva • Perda do brilho ocular e aspecto granular na superfície do olho
Nos casos mais graves e sem tratamento adequado, podem surgir úlceras de córnea, infecções bacterianas e, em situações extremas, necrose e destruição do globo ocular com perda permanente da visão.
Xeroftalmia tem cura?
Sim. A xeroftalmia tem cura quando diagnosticada e tratada de forma correta e no momento certo. Quanto mais precoce o diagnóstico, mais rápida e eficaz tende a ser a recuperação. Por isso, não ignore sintomas persistentes e procure um oftalmologista.
Como é feito o tratamento?
O tratamento é individualizado e depende da causa e da gravidade do quadro. De modo geral, as abordagens incluem:
Correção da deficiência de vitamina A
A suplementação vitamínica é frequentemente o primeiro passo, especialmente em pacientes com desnutrição. A dose deve ser calculada com precisão, pois o excesso de vitamina A também pode ser prejudicial.
Lágrimas artificiais:
A lubrificação ocular com colírios específicos é um dos recursos mais utilizados e eficazes para aliviar os sintomas e proteger a córnea no dia a dia.
Antibióticos tópicos:
Quando há infecções associadas, o oftalmologista pode prescrever colírios ou pomadas antibióticas para controlar o quadro infeccioso.
Anti-inflamatórios e imunossupressores:
Em casos de maior gravidade ou com componente inflamatório importante, medicamentos tópicos anti-inflamatórios e imunossupressores podem ser necessários.
Luz Pulsada Intensa (IPL) - tecnologia moderna para o olho seco:
Uma das opções mais inovadoras disponíveis atualmente para o tratamento da xeroftalmia é a Luz Pulsada Intensa, conhecida pela sigla IPL (Intense Pulsed Light). Originalmente desenvolvida para uso dermatológico, a tecnologia foi adaptada para a oftalmologia e tem apresentado resultados expressivos, especialmente nos casos em que o olho seco está associado à disfunção das glândulas de Meibômio, pequenas glândulas nas pálpebras responsáveis pela produção da camada lipídica das lágrimas.
Durante o procedimento, pulsos de luz de alta intensidade são aplicados na região ao redor dos olhos, promovendo:
• A desobstrução das glândulas de Meibômio, melhorando a qualidade da película lacrimal • A redução da inflamação na superfície ocular e nas pálpebras • A eliminação de bactérias e ácaros (Demodex) que contribuem para a disfunção lacrimal • A estimulação da produção natural de lágrimas com melhor estabilidade
O tratamento com IPL é ambulatorial, rápido (dura em torno de 15 a 20 minutos por sessão) e não exige período de recuperação. Em geral, são indicadas entre 3 e 4 sessões com intervalos de algumas semanas, conforme avaliação do especialista. Os resultados costumam ser percebidos progressivamente, com melhora significativa do conforto e da qualidade visual.
É importante ressaltar que a IPL não é indicada para todos os perfis de pacientes, pessoas com pele muito escura, gestantes ou com determinadas condições dermatológicas podem não ser candidatas ao procedimento. Por isso, a avaliação prévia com o oftalmologista é indispensável.
Procedimento cirúrgico
Na síndrome do olho seco com drenagem lacrimal inadequada, pode-se recorrer a um procedimento para ocluir o canal lacrimal, favorecendo a retenção das lágrimas naturais na superfície ocular.
Como prevenir o olho seco?
A boa notícia é que muitos casos de xeroftalmia podem ser prevenidos com hábitos simples:
Proteja os olhos do vento, poeira, fumaça e sol intenso, óculos de proteção fazem a diferença
Reduza o tempo de exposição a ar-condicionado e aquecedores; se não for possível, use umidificadores de ambiente
Faça pausas regulares ao usar computadores e celulares (a regra 20-20-20 é uma boa prática: a cada 20 minutos, olhe para um ponto a 6 metros por 20 segundos)
Higienize e descanse as lentes de contato corretamente; nunca as use por períodos prolongados sem orientação médica
Evite automedicação: alguns remédios comprometem o sistema lacrimal sem que o paciente perceba
Invista na alimentação: inclua no cardápio alimentos ricos em vitamina A, como cenoura, abóbora, manga, pêssego, pimentão vermelho e amarelo, espinafre, brócolis, escarola, salsinha, leite e derivados
Está sentindo desconforto nos olhos ou suspeita de olho seco? A Dra. Allexya Affonso está pronta para avaliar seu caso com a atenção e o cuidado que você merece. Agende sua consulta e cuide da saúde dos seus olhos com quem entende.
As informações têm caráter educativo e não substituem a consulta com um profissional de saúde habilitado.




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