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Ambliopia ou "olho preguiƧoso"

  • Foto do escritor: Dra. AllĆ©xya Affonso
    Dra. AllƩxya Affonso
  • 16 de set. de 2025
  • 5 min de leitura
ambliopia nos olhos


A Ambliopia ou "olho preguiƧoso", Ć© uma condição em que a visĆ£o fica reduzida mesmo após correção com óculos ou lentes de contato. TambĆ©m pode ser conhecida pelos pacientes como ā€œvisĆ£o preguiƧosaā€.


Essa redução da acuidade visual pode afetar apenas um olho (ambliopia unilateral) ou os dois (ambliopia bilateral). Do ponto de vista clínico, considera-se que hÔ ambliopia quando a diferença de visão entre os olhos é de pelo menos duas linhas em uma tabela de acuidade visual.

A gravidade pode variar de leve a profunda, podendo, em casos mais severos e não tratados, levar até à cegueira.


O que Ć© ambliopia?


Para entender melhor, Ć© importante lembrar como o sistema visual se desenvolve. Os olhos captam as imagens e as transformam em estĆ­mulos elĆ©tricos que sĆ£o enviados ao cĆ©rebro pelos nervos ópticos. Ɖ no córtex visual, localizado no lobo occipital, que essas informaƧƵes sĆ£o processadas.


A ambliopia surge quando o cérebro não recebe imagens claras e nítidas de ambos os olhos durante o período crítico de desenvolvimento visual da infância. Isso compromete a formação adequada das conexões visuais, resultando em baixa visão mesmo após correção óptica.


Nos primeiros 7 a 10 anos de vida, ocorre o desenvolvimento mais intenso da visão. Por isso, tratar a ambliopia nesse período é fundamental: quanto antes identificada e tratada, maiores as chances de recuperação visual. Se não corrigida nessa fase, pode gerar danos permanentes.


Em muitos casos, o olho aparenta ser ā€œnormalā€, mas o cĆ©rebro favorece o uso do olho de melhor visĆ£o, ā€œdesligandoā€ parcialmente o outro.

Ɖ importante diferenciar a ambliopia funcional, que Ć© reversĆ­vel se tratada cedo, da ambliopia orgĆ¢nica, causada por alteraƧƵes estruturais do olho ou do sistema nervoso central e que nĆ£o melhora com tratamento.


Ambliopia em crianƧas e adultos



crianƧa fazendo exame de vista

A ambliopia infantil é a forma mais comum, geralmente detectada na infância ou até mesmo ao nascimento (ambliopia congênita). Normalmente afeta apenas um olho, mas pode comprometer ambos.

JÔ a ambliopia no adulto pode ser consequência de problemas visuais não tratados na infância ou surgir devido a doenças oculares adquiridas mais tarde. Embora menos comum nessa fase da vida, o impacto visual pode ser significativo.



Diagnóstico da ambliopia


O diagnóstico é realizado pelo oftalmologista, por meio de exames como:

  • Teste de acuidade visual;

  • Exame de fundo de olho;

  • Avaliação de alinhamento ocular;

  • Exames complementares, quando necessĆ”rios.


Em crianças pequenas (abaixo de 3 a 4 anos), que ainda não colaboram com a tabela de acuidade, sinais indiretos podem indicar o problema, por exemplo, quando a criança reage mal ao tampar o olho saudÔvel, sugerindo que o outro tem visão reduzida.

Por isso, a primeira consulta oftalmológica deve ser feita ainda no primeiro ano de vida, para detectar precocemente alterações que possam causar ambliopia.


As principais formas de ambliopia são:


Ambliopia estrƔbica


Ɖ a forma mais frequente e ocorre quando hĆ” estrabismo (desalinhamento ocular). Para evitar a visĆ£o dupla, o cĆ©rebro ignora a imagem do olho desviado, o que leva Ć  perda de estĆ­mulo visual.

  • Pode ocorrer em qualquer idade, mas Ć© mais comum na infĆ¢ncia.

  • Estrabismos podem ser convergentes (olho desvia para dentro), divergentes (para fora) ou verticais (para cima ou para baixo).

  • O diagnóstico e tratamento precoce sĆ£o fundamentais para prevenir perda visual permanente.


Ambliopia anisometrópica


Surge quando hÔ diferença significativa de grau entre os dois olhos (anisometropia). Um olho pode ser míope, hipermétrope ou astigmata, enquanto o outro não.

  • O cĆ©rebro ā€œaprendeā€ a usar o olho de melhor visĆ£o, negligenciando o outro.

  • Muitas vezes passa despercebida, pois a crianƧa enxerga bem com o olho dominante.

  • Só pode ser detectada com exame oftalmológico completo.


Ambliopia ametropia

Ocorre quando hÔ graus elevados de erro refrativo em ambos os olhos (como miopia ou hipermetropia altas) não corrigidos. Isso impede a formação de imagens nítidas e compromete o desenvolvimento da visão.


Ambliopia por privação (ex anopsia)

Decorre de obstruções que impedem a entrada da luz no olho, como catarata congênita, leucomas corneanos, ptose palpebral (pÔlpebra caída), hemorragias ou opacidades vítreas.

  • Ɖ mais rara, mas geralmente mais grave.

  • Requer tratamento rĆ”pido para evitar danos irreversĆ­veis.


Outras causas

Ambliopia tóxica: relacionada a substĆ¢ncias como Ć”lcool e tabaco (ambliopia tabĆ”gica).• Ambliopia histĆ©rica: alteração da visĆ£o sem causa orgĆ¢nica identificĆ”vel, geralmente de origem psicogĆŖnica.


Sintomas da ambliopia


Os sinais podem variar conforme a gravidade e a idade:

  • VisĆ£o turva ou embaƧada;

  • Dificuldade para perceber detalhes;

  • Inclinar ou virar a cabeƧa para enxergar;

  • Aproximar-se demais de objetos ou telas;

  • Olhos desalinhados (estrabismo).


Nas crianƧas, os sintomas podem ser sutis. Muitas vezes, a visĆ£o normal de um olho ā€œmascaraā€ a limitação do outro. Por isso, os pais devem ficar atentos a sinais como semicerrar os olhos, postura inadequada ao ler ou assistir televisĆ£o e queixas de dificuldade escolar.


A ambliopia tem cura?


A ambliopia pode ser tratada e revertida, desde que diagnosticada precocemente, preferencialmente durante a infância. Após determinada idade, a plasticidade cerebral diminui e as chances de recuperação total ficam mais limitadas.


Tratamento da ambliopia


O tratamento depende da causa e pode incluir:

  • Correção óptica: uso de óculos ou lentes de contato para corrigir erros refrativos.

  • Tratamento do estrabismo: óculos, cirurgia ou ambos, dependendo do caso.

  • TampĆ£o ocular (oclusor): cobre o olho com visĆ£o normal, estimulando o uso do olho fraco.

  • ColĆ­rios penalizadores: desfocam o olho saudĆ”vel, obrigando o uso do olho amblĆ­ope.

  • Cirurgia: indicada em casos especĆ­ficos, como catarata congĆŖnita ou estrabismo grave.


A colaboração dos pais é essencial, especialmente no uso do tampão ou colírios, que muitas vezes geram resistência da criança. Incentivar atividades visuais prazerosas (como leitura, pintura e jogos educativos) durante o tratamento pode melhorar os resultados.


No caso da ambliopia de privação, o tratamento passa pela restituição da transparência dos meios óticos, de modo a permitir que uma imagem tão clara quanto possível chegue até à retina.

No caso da catarata congénita, a cirurgia para a remoção da catarata deve ser efetuada o mais precocemente possível. O diagnóstico e tratamento da catarata congénita devem ser céleres, de modo a evitar a ambliopia e possível cegueira.


Antigamente, acreditava-se que tratar a ambliopia em crianƧas mais velhas, adolescentes e jovens traria poucos benefƭcios. No entanto, o tratamento tardio em muitas situaƧƵes e dependendo naturalmente das causas da ambliopia tem revelado alguns resultados positivos.


Alguns estudos mostram que crianças entre os 7 e os 17 anos de idade beneficiaram de tratamento para ambliopia, ou seja, a idade por si só não deve ser usada como um fator para decidir se deve ou não tratar a ambliopia. De notar, no entanto, que nos primeiros 7 a 10 anos de vida, o sistema visual desenvolve-se rapidamente, pelo que se a intervenção não for precoce podem suceder danos irreversíveis na visão. Indiscutivelmente quanto mais cedo forem instituídos os tratamentos mais hipóteses hÔ de sucesso de modo a evitar a perda de visão irreversível ou cegueira.

O tratamento da ambliopia em adultos, depois dos 20 anos de idade, tem habitualmente pouco sucesso.


Quando existe ambliopia irreversĆ­vel apenas num olho e uma boa visĆ£o no outro olho podem ser tomadas medidas para salvaguardar o olho com boa visĆ£o, como por exemplo, usar óculos de seguranƧa como na prĆ”tica de desportos de contacto para proteger o olho normal de uma lesĆ£o. Enquanto o ā€œolho bomā€ permanece saudĆ”vel, estes doentes podem levar, na maioria dos casos, uma vida perfeitamente normal.


šŸ‘‰ ConclusĆ£o: a ambliopia Ć© uma condição tratĆ”vel, mas que exige diagnóstico precoce e adesĆ£o ao tratamento. Consultas regulares com o oftalmologista sĆ£o fundamentais para garantir o desenvolvimento saudĆ”vel da visĆ£o desde a infĆ¢ncia.

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