Cirurgia de Catarata
- Dra. Alléxya Affonso

- há 6 dias
- 5 min de leitura

Conheça tudo sobre a cirurgia de catarata, facoemulsificação, tipos de lentes intraoculares, recuperação, riscos e resultados.
Cirurgia de Catarata
O que é a cirurgia de catarata?
A cirurgia de catarata é o único tratamento capaz de restaurar a visão comprometida pela opacificação do cristalino, estrutura natural do olho responsável por focalizar as imagens na retina.
Com o envelhecimento, o cristalino perde sua transparência, tornando-se progressivamente opaco. Essa alteração é chamada de catarata e provoca sintomas como visão embaçada, aumento da sensibilidade à luz, perda do contraste e dificuldade para dirigir ou ler.
Embora a catarata relacionada à idade seja a forma mais frequente, existem outros tipos, como:
Catarata congênita;
Catarata traumática;
Catarata secundária ao uso de medicamentos ou doenças sistêmicas.
Nem toda catarata necessita de cirurgia imediatamente. A indicação depende da intensidade dos sintomas e do impacto na qualidade de vida do paciente.
Atualmente, a cirurgia de catarata é um dos procedimentos mais realizados no mundo e apresenta elevadas taxas de sucesso quando realizada por equipe especializada.
Como é feita a cirurgia de catarata?
A técnica mais utilizada atualmente é a facoemulsificação, considerada o padrão ouro para o tratamento da catarata.
Durante o procedimento, o cirurgião realiza uma pequena microincisão na córnea e utiliza uma ponteira de ultrassom para fragmentar o cristalino opacificado.
Os fragmentos são aspirados e, em seguida, uma lente intraocular é implantada dentro do saco capsular, substituindo definitivamente o cristalino natural.
Todo o procedimento costuma durar entre 10 e 20 minutos, sendo realizado com anestesia tópica (colírios) e sedação leve, sem necessidade de internação.
O que é a facoemulsificação?
A facoemulsificação revolucionou a cirurgia de catarata ao permitir incisões extremamente pequenas e recuperação muito mais rápida.
O equipamento utiliza ultrassom de alta frequência para fragmentar o cristalino com grande precisão, reduzindo o trauma cirúrgico.
Entre suas principais vantagens estão:
microincisões corneanas;
menor indução de astigmatismo;
recuperação visual acelerada;
menor inflamação;
elevada previsibilidade dos resultados;
maior segurança durante a cirurgia.
Por essas características, a facoemulsificação é atualmente a técnica mais utilizada em todo o mundo.
Lente intraocular: qual é implantada na cirurgia?
Após a remoção da catarata, é implantada uma lente intraocular (LIO) permanente.
A potência dessa lente é calculada antes da cirurgia por meio da biometria ocular, exame que mede diversas estruturas do olho para determinar o grau ideal da lente.
Hoje existem diferentes tipos de lentes intraoculares, permitindo personalizar o tratamento de acordo com o estilo de vida e as necessidades visuais de cada paciente.
Tipos de lentes intraoculares
Lente monofocal esférica
É a lente tradicional utilizada na maioria das cirurgias.
Permite excelente visão para uma única distância, normalmente a visão de longe.
Após sua implantação, muitos pacientes ainda necessitam de óculos para leitura ou atividades de perto.
Principais características:
excelente custo-benefício;
alta qualidade visual para longe;
necessidade de óculos para perto na maioria dos casos.
Lente monofocal asférica
A lente monofocal asférica representa uma evolução da lente convencional.
Seu desenho óptico reduz as aberrações esféricas, proporcionando:
melhor contraste;
melhor qualidade visual noturna;
maior nitidez da imagem;
menor percepção de halos em comparação às lentes esféricas.
Também corrige apenas uma distância focal, sendo normalmente programada para visão de longe.
Lente tórica
Pacientes que apresentam catarata associada ao astigmatismo podem se beneficiar das lentes intraoculares tóricas.
Além de substituir o cristalino opaco, essas lentes corrigem simultaneamente o astigmatismo corneano.
Entre seus benefícios estão:
redução da dependência de óculos para longe;
melhor qualidade visual;
maior precisão refrativa.
É necessário um planejamento cirúrgico bastante preciso para garantir o correto posicionamento da lente.
Lente EDOF (Lente intraocular de profundidade de foco estendida - Extended Depth of Focus)
As lentes EDOF representam uma tecnologia mais recente.
Seu objetivo é ampliar a profundidade de foco, proporcionando excelente visão para:
longe;
distância intermediária (computador, painel do carro, cozinha).
A visão para perto costuma ser melhor que nas lentes monofocais, embora alguns pacientes ainda possam necessitar de óculos para leitura de letras muito pequenas.
Entre suas vantagens destacam-se:
menor incidência de halos;
excelente qualidade visual;
adaptação rápida;
boa visão intermediária.
Lentes multifocais
As lentes multifocais permitem corrigir simultaneamente diferentes distâncias.
Dependendo do modelo implantado, podem oferecer boa visão para:
longe;
intermediária;
perto.
São indicadas para pacientes que desejam máxima independência dos óculos.
Entretanto, nem todos os pacientes são candidatos.
Antes da indicação, devem ser avaliados fatores como:
saúde da retina;
qualidade do filme lacrimal;
presença de glaucoma;
doenças da córnea;
expectativas do paciente.
Algumas pessoas podem perceber halos ou reflexos ao redor das luzes, especialmente durante a adaptação inicial.
Como escolher a melhor lente intraocular?
Não existe uma lente considerada ideal para todos os pacientes.
A escolha depende de diversos fatores, incluindo:
idade;
profissão;
hábitos de leitura;
prática esportiva;
presença de astigmatismo;
doenças oculares associadas;
expectativa em relação à independência dos óculos.
Uma avaliação oftalmológica completa permite definir qual tecnologia oferece o melhor resultado para cada caso.
Cirurgia de catarata a laser
Existe também a cirurgia assistida por laser de femtossegundo.
Nessa modalidade, algumas etapas da cirurgia são automatizadas pelo laser, como:
incisões corneanas;
abertura da cápsula anterior;
fragmentação inicial da catarata.
Entretanto, a maior parte da cirurgia continua sendo realizada pelo cirurgião utilizando a técnica de facoemulsificação.
Embora seja uma tecnologia moderna, diversos estudos demonstram que, na maioria dos pacientes, os resultados visuais são semelhantes aos obtidos com a facoemulsificação convencional realizada por cirurgiões experientes.
Quais são os riscos da cirurgia de catarata?
A cirurgia de catarata apresenta elevados índices de segurança, porém, como qualquer procedimento cirúrgico, não é totalmente isenta de riscos.
As possíveis complicações incluem:
infecção ocular (endoftalmite);
edema de córnea;
edema macular cistoide;
ruptura da cápsula posterior;
perda de vítreo;
deslocamento da lente intraocular;
aumento da pressão intraocular;
descolamento de retina (mais raro);
astigmatismo induzido.
A incidência dessas complicações é baixa quando o procedimento é realizado por cirurgiões experientes.
Opacificação da cápsula posterior ("catarata secundária")
Meses ou anos após a cirurgia, alguns pacientes podem apresentar opacificação da cápsula posterior, estrutura que sustenta a lente intraocular.
Essa condição ocorre em aproximadamente 20% a 30% dos casos e provoca nova redução da visão.
Apesar de ser conhecida popularmente como catarata secundária, ela não representa o retorno da catarata.
O tratamento é realizado por meio da capsulotomia com YAG laser, procedimento rápido, indolor e realizado em consultório.
Pós-operatório da cirurgia de catarata
A recuperação costuma ser bastante tranquila.
Após a cirurgia, o paciente recebe orientações para:
utilizar corretamente os colírios prescritos;
evitar coçar os olhos;
proteger o olho operado;
comparecer às consultas de revisão.
Na maioria dos casos, o retorno para casa ocorre cerca de 30 a 60 minutos após o procedimento.
Recuperação da cirurgia de catarata
Uma das principais vantagens da facoemulsificação é a rápida recuperação.
Em muitos pacientes:
a visão já apresenta melhora nas primeiras 24 a 48 horas;
atividades leves podem ser retomadas no dia seguinte;
a recuperação visual continua evoluindo nas semanas seguintes.
O tempo de estabilização pode variar conforme:
grau da catarata;
presença de outras doenças oculares;
tipo de lente implantada;
resposta individual de cicatrização.
Quanto custa uma cirurgia de catarata?
O custo da cirurgia pode variar conforme diversos fatores, como:
tipo de lente intraocular escolhida;
tecnologia utilizada;
hospital ou centro cirúrgico;
cobertura por convênio ou plano de saúde.
Somente após uma consulta oftalmológica, acompanhada dos exames pré-operatórios, é possível definir a técnica mais indicada e fornecer um orçamento individualizado.
Considerações finais
A cirurgia de catarata é um dos procedimentos mais seguros e bem-sucedidos da medicina moderna. Além de restaurar a transparência dos meios ópticos, ela também permite corrigir erros refrativos por meio da escolha adequada da lente intraocular.
Com tecnologias atuais, como as lentes monofocais asféricas, tóricas, EDOF e multifocais, é possível personalizar o tratamento de acordo com as necessidades visuais e o estilo de vida de cada paciente, proporcionando excelente qualidade de visão e, em muitos casos, reduzindo significativamente a dependência dos óculos.




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