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Exoftalmia (Olhos Salientes)

  • Foto do escritor: Dra. Alléxya Affonso
    Dra. Alléxya Affonso
  • 16 de abr.
  • 5 min de leitura

exoftalmia


Entenda o que é exoftalmia, por que os olhos ficam salientes, quais as causas mais comuns como a doença de graves, sintomas e opções de tratamento. Consulte nosso time de especialistas.

Exoftalmia: por que os olhos ficam salientes e o que fazer?


O que é exoftalmia?


Você já ouviu falar em olhos saltados, esbugalhados ou protuberantes? Esses termos populares descrevem o que a medicina chama de exoftalmia ou proptose ocular, uma condição caracterizada pela protrusão anormal do globo ocular, ou seja, quando o olho fica mais “para fora” do que deveria em relação à órbita.


Tecnicamente, a órbita ocular é uma cavidade fechada nas suas porções posterior, medial e lateral. Qualquer processo que aumente o volume das estruturas dentro dessa cavidade, seja por inflamação, alteração vascular ou crescimento de tecido, empurra o olho para frente, resultando na aparência característica da exoftalmia.


Embora os termos exoftalmia e proptose sejam frequentemente usados como sinônimos, vale mencionar que alguns autores reservam “exoftalmia” especificamente para os casos de origem metabólica, como os relacionados à tireoide. Ao longo deste conteúdo, utilizaremos os dois termos de forma equivalente.


O que é considerado normal?


Em adultos, a distância entre a borda lateral da órbita e o ápice da córnea varia normalmente entre 16 e 18 mm. Valores acima desse intervalo já caracterizam proptose ocular. Essa medição é realizada com um instrumento específico chamado exoftalmômetro de Hertel.


Pseudoexoftalmia: quando os olhos parecem salientes sem que haja doença


Alguns pacientes apresentam olhos naturalmente maiores ou traços faciais que criam a impressão de olhos protuberantes, sem que nenhuma patologia esteja envolvida. Esse fenômeno é chamado de pseudoexoftalmia ou falsa proptose, e pode ser observado em pessoas com miopia elevada ou glaucoma congênito. Ainda assim, quando há preocupação estética ou funcional, a avaliação médica é sempre recomendada.


Causas da exoftalmia


A exoftalmia costuma ser consequência de alguma alteração que ocupa ou comprime o espaço interno da órbita. As causas são diversas e podem ser classificadas de acordo com a forma de apresentação:


Principal causa: Doença de Graves e a oftalmopatia associada


A causa mais comum de exoftalmia é a doença ocular da tireoide, especialmente a doença de Graves, uma condição autoimune que leva à hiperatividade da glândula tireoide (hipertireoidismo). Ela responde pela grande maioria dos casos de hipertireoidismo (entre 60% e 80%) e é mais prevalente em mulheres entre 30 e 50 anos e em fumantes.


Cerca de um terço dos pacientes com doença de Graves desenvolvem a chamada oftalmopatia de Graves, que afeta diretamente os olhos. Nessa condição, o sistema imunológico ataca os músculos e tecidos da órbita, provocando inflamação, aumento do tecido adiposo e conjuntivo, e consequente deslocamento do globo ocular para frente.


Os principais sinais incluem:


  • Olhos salientes e avermelhados

  • Dor e ardência ocular

  • Visão dupla (diplopia)

  • Sensibilidade à luz (fotofobia)

  • Retração das pálpebras

  • Olho seco

  • Nos casos mais graves, perda de visão


Outras causas menos frequentes


Além da oftalmopatia de Graves, outras condições podem originar a proptose ocular:


  • Traumas e lesões oculares

  • Sangramento na câmara anterior do olho (hifema)

  • Vasos sanguíneos anormais na região retro-ocular

  • Infecções na cavidade orbitária

  • Celulite orbitária

  • Leucemia aguda

  • Tumores (meningioma, glioma, rabdomiossarcoma, mucocelo, entre outros)

  • Glaucoma congênito e problemas hereditários (nos casos presentes desde o nascimento)


Exoftalmia em crianças


Quando a condição se manifesta na infância ou está presente desde o nascimento (exoftalmia congênita), o diagnóstico precoce é ainda mais urgente. A proptose não tratada em crianças pode levar ao desenvolvimento de ambliopia (o popular “olho preguiçoso”), com impacto duradouro na visão.


Exoftalmia unilateral ou bilateral?


A exoftalmia pode afetar um olho ou os dois:


Unilateral: apenas um olho apresenta protrusão. Causas frequentes incluem celulite orbitária, tumores e traumas. A oftalmopatia de Graves, apesar de geralmente bilateral, pode se manifestar de forma mais pronunciada em apenas um olho.


Bilateral: ambos os olhos estão salientes. A principal causa é a oftalmopatia de Graves, embora a intensidade dos sintomas possa variar entre os olhos.


Sintomas da exoftalmia


Os sinais e sintomas variam de acordo com a causa subjacente e a gravidade do quadro. Em alguns casos, especialmente nos estágios iniciais, a condição pode ser assintomática. Quando os sintomas aparecem, os mais comuns são:


  • Olhos visivelmente mais protuberantes que o normal

  • Vermelhidão e lacrimejamento excessivo

  • Sensação de ardência, coceira ou irritação

  • Visão dupla (diplopia)

  • Fotofobia (sensibilidade aumentada à luz)

  • Ressecamento ocular

  • Retração das pálpebras, dificultando o fechamento completo dos olhos


Nos casos graves, a incapacidade de fechar os olhos adequadamente expõe a córnea e pode causar úlceras corneanas e infecções. Existe ainda o risco, embora menos frequente, de compressão do nervo óptico, o que pode resultar em perda visual irreversível se não tratado com rapidez.


Como é feito o diagnóstico?


O oftalmologista avaliará o grau de protrusão com o exoftalmômetro de Hertel e analisará a mobilidade ocular. Dependendo da suspeita clínica, exames complementares podem ser solicitados, como:

  • Tomografia computadorizada e ressonância magnética (para avaliar estruturas orbitárias)

  • Tonometria (medição da pressão intraocular)

  • Campimetria (avaliação do campo visual)


Quando há suspeita de doença de Graves, o endocrinologista também será envolvido no diagnóstico, com exames laboratoriais para avaliar a função tireoidiana.


Exoftalmia tem cura?


A resposta depende da causa que originou a condição. Em muitos casos, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento é instituído de forma adequada, é possível controlar a progressão da doença, aliviar os sintomas e preservar a visão. A perda visual permanente é rara quando o tratamento é iniciado no tempo certo.


Tratamento da exoftalmia


O tratamento é sempre individualizado e orientado pela causa identificada.


Oftalmopatia de Graves


O primeiro passo é tratar a disfunção tireoidiana de base. O controle do hipertireoidismo não garante a regressão completa dos sintomas oculares, mas é fundamental para frear a progressão da doença. O tratamento complementar pode incluir:


  • Corticoides: para reduzir a inflamação orbitária

  • Lágrimas artificiais: para aliviar o ressecamento e a irritação ocular

  • Óculos com filtro UV e lentes especiais: úteis nos casos de fotofobia e visão dupla

  • Cessação do tabagismo: fumantes têm evolução mais grave da oftalmopatia de Graves

  • Medidas posturais: elevar a cabeceira da cama com travesseiros extras pode ajudar a reduzir o edema periocular

  • Intervenção cirúrgica: indicada quando a inflamação está controlada e busca melhorar a aparência e a funcionalidade ocular


Infecções orbitárias


Quando a causa é infecciosa, como na celulite orbitária, o tratamento é feito com antibióticos. Em casos com formação de abscesso, pode ser necessário um procedimento cirúrgico de drenagem.


Tumores


O manejo depende do tipo, localização e estágio do tumor, podendo envolver radioterapia, quimioterapia e/ou cirurgia.


Cirurgia da exoftalmia: quando é indicada?


Existem três tipos principais de intervenção cirúrgica para a exoftalmia:

  1. Cirurgia de descompressão orbitária: remove uma pequena quantidade de osso ou tecido da cavidade orbitária, criando mais espaço e permitindo que o olho recue para uma posição mais natural.

  2. Cirurgia palpebral: corrige a posição, o fechamento ou a aparência das pálpebras, prevenindo complicações como as úlceras de córnea.

  3. Cirurgia dos músculos extraoculares: atua nos músculos responsáveis pelo movimento ocular, corrigindo o alinhamento dos olhos e reduzindo a visão dupla.


Na doença de Graves, a cirurgia é preferencialmente indicada na fase inativa da doença. Porém, quando há risco real à visão, como na compressão do nervo óptico, a intervenção pode ser antecipada mesmo durante a fase ativa.


Percebeu que seus olhos estão mais salientes do que o habitual, ou está sentindo desconforto, visão dupla ou dificuldade para fechar os olhos? Esses sinais merecem avaliação imediata.


A Dra. Allexya Affonso está preparada para investigar a causa e oferecer o tratamento mais adequado para o seu caso. Agende sua consulta e proteja sua visão.


As informações têm caráter educativo e não substituem a avaliação de um profissional de saúde habilitado.

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