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Guia completo da saúde ocular para quem tem diabetes.

  • Foto do escritor: Dra. Alléxya Affonso
    Dra. Alléxya Affonso
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura
Guia completo da saúde ocular para quem tem diabetes.


Saiba como o diabetes pode afetar a visão, quais são as principais doenças oculares, quando fazer o exame de fundo de olho e como prevenir a retinopatia diabética.


Guia completo da saúde ocular para quem tem diabetes


O diabetes mellitus é uma das principais causas de perda visual evitável no mundo. O excesso de glicose no sangue pode comprometer os pequenos vasos da retina, além de aumentar o risco de catarata, glaucoma e outras alterações oculares. A boa notícia é que grande parte dessas complicações pode ser prevenida ou tratada quando diagnosticada precocemente.


Neste guia, você entenderá como o diabetes afeta os olhos, quais sintomas merecem atenção, quais exames são indispensáveis e como proteger sua visão ao longo da vida.


Como o diabetes afeta os olhos?


O diabetes provoca alterações na circulação sanguínea que comprometem os vasos da retina, tecido responsável por captar as imagens e enviá-las ao cérebro. Com o passar do tempo, esses vasos podem apresentar vazamentos, obstruções e crescimento de novos vasos anormais, comprometendo a visão.


Além da retina, o diabetes também pode afetar o cristalino, o nervo óptico, a superfície ocular e a movimentação dos olhos.


O risco de complicações aumenta conforme:

  • tempo de duração do diabetes;

  • controle inadequado da glicemia;

  • hipertensão arterial;

  • colesterol elevado;

  • doença renal;

  • gestação em mulheres diabéticas.


Quais doenças oculares são mais comuns em pessoas com diabetes?


Retinopatia diabética


A retinopatia diabética é a complicação ocular mais frequente e uma das principais causas de cegueira em adultos em idade produtiva.

Ela ocorre quando os vasos sanguíneos da retina sofrem danos causados pelo diabetes.


Inicialmente, a doença pode não causar qualquer sintoma. À medida que progride, podem surgir:

  • visão embaçada;

  • manchas escuras (“moscas volantes”);

  • dificuldade para leitura;

  • perda de visão periférica;

  • perda visual súbita em casos de hemorragia vítrea.


A retinopatia diabética é dividida em duas fases:


Retinopatia diabética não proliferativa


É o estágio inicial da doença, caracterizado por:

  • microaneurismas;

  • hemorragias retinianas;

  • exsudatos;

  • edema da retina.


Retinopatia diabética proliferativa


Representa a forma mais grave da doença.


Nessa fase ocorre crescimento de novos vasos sanguíneos anormais (neovascularização), que podem causar:

  • hemorragia vítrea;

  • descolamento de retina por tração;

  • glaucoma neovascular;

  • perda visual permanente.


Edema macular diabético


O edema macular diabético é uma das principais causas de baixa visão em pacientes diabéticos.

Ele ocorre quando há extravasamento de líquido para a mácula, região responsável pela visão central e pelos detalhes.


Os sintomas incluem:

  • visão borrada;

  • dificuldade para leitura;

  • distorção das imagens;

  • redução da percepção de cores.


O edema pode ocorrer em qualquer fase da retinopatia diabética.


Catarata


Pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver catarata em idade mais precoce.

Além disso, oscilações da glicemia podem provocar alterações temporárias no grau dos óculos devido à mudança da refração do cristalino.


Glaucoma


O diabetes aumenta o risco de glaucoma, principalmente quando há retinopatia proliferativa.

Nos casos avançados pode surgir o glaucoma neovascular, uma condição grave causada pelo crescimento de vasos anormais na íris e no ângulo de drenagem do olho.


Olho seco


O diabetes também pode comprometer a produção lacrimal e reduzir a sensibilidade da córnea.


Os sintomas incluem:

  • ardor;

  • sensação de areia;

  • vermelhidão;

  • visão oscilante;

  • desconforto ao usar computador.


Alterações dos nervos oculares


O diabetes pode afetar os nervos responsáveis pela movimentação dos olhos.


Alguns pacientes apresentam:

  • visão dupla;

  • dificuldade para movimentar um dos olhos;

  • queda da pálpebra.


Na maioria dos casos, essas alterações melhoram espontaneamente após o controle clínico.


Quais sintomas exigem avaliação imediata?


Procure um oftalmologista imediatamente se ocorrer:

  • perda súbita da visão;

  • aumento importante de moscas volantes;

  • flashes luminosos;

  • visão muito embaçada;

  • dor ocular intensa;

  • visão dupla de início recente.


Mesmo na ausência de sintomas, pessoas com diabetes devem realizar exames oftalmológicos regularmente.


Quais exames são importantes?


O acompanhamento oftalmológico inclui diferentes exames, conforme cada paciente.


Fundoscopia

É o principal exame para identificar alterações da retina causadas pelo diabetes.


Permite avaliar:

  • microaneurismas;

  • hemorragias;

  • edema;

  • neovascularização;

  • descolamento de retina.


Retinografia

Produz fotografias da retina e permite comparar a evolução da doença ao longo do tempo.


Tomografia de Coerência Óptica (OCT)

O OCT é o exame mais sensível para identificar edema macular diabético e monitorar a resposta ao tratamento.


Angiografia fluoresceínica

Avalia a circulação dos vasos da retina e ajuda a identificar áreas de isquemia e vazamentos.


Quando quem tem diabetes deve fazer exame de fundo de olho?


As recomendações variam conforme o tipo de diabetes.


Diabetes tipo 1

  • Primeira avaliação cerca de cinco anos após o diagnóstico.

  • Depois, exames periódicos conforme orientação do oftalmologista.


Diabetes tipo 2

  • Avaliação oftalmológica no momento do diagnóstico.

  • Acompanhamento regular, mesmo sem sintomas.


Gestantes com diabetes


Necessitam acompanhamento mais frequente, pois a retinopatia pode progredir rapidamente durante a gravidez.


Como prevenir as complicações oculares do diabetes?


A prevenção depende do controle sistêmico e do acompanhamento oftalmológico.


As principais medidas incluem:

  • manter a glicemia dentro das metas estabelecidas pelo endocrinologista;

  • controlar a pressão arterial;

  • controlar colesterol e triglicerídeos;

  • não fumar;

  • praticar atividade física regularmente;

  • manter alimentação saudável;

  • comparecer às consultas oftalmológicas periódicas.


Como é feito o tratamento?


O tratamento depende da doença e do estágio de acometimento.


As opções incluem:

  • controle rigoroso da glicemia;

  • acompanhamento periódico;

  • aplicações intraoculares de medicamentos anti-VEGF;

  • implantes ou injeções de corticosteroides em casos selecionados;

  • fotocoagulação a laser;

  • cirurgia de vitrectomia nos casos avançados;

  • cirurgia de catarata quando indicada;

  • tratamento do glaucoma.


Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as chances de preservar a visão.


Mitos e verdades


-- “Se estou enxergando bem, não preciso consultar o oftalmologista.”

Mito. A retinopatia diabética pode evoluir por anos sem causar sintomas.


-- “Controlar apenas a glicemia é suficiente.”

Mito. Também é fundamental controlar pressão arterial, colesterol, função renal e manter hábitos de vida saudáveis.


-- “A retinopatia diabética tem tratamento.”

Verdade. Atualmente existem tratamentos altamente eficazes para controlar a doença e reduzir significativamente o risco de perda visual quando iniciados precocemente.


Conclusão


O diabetes pode afetar diversas estruturas dos olhos, mas a maioria das complicações pode ser evitada com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado. Consultas oftalmológicas regulares, controle rigoroso da glicemia e tratamento oportuno são as principais estratégias para preservar a visão e garantir qualidade de vida.


Se você tem diabetes, não espere os sintomas aparecerem. O exame oftalmológico periódico é a melhor forma de proteger sua visão e identificar alterações antes que elas comprometam sua qualidade de vida.

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