Vitrectomia
- Dra. Alléxya Affonso

- há 6 dias
- 7 min de leitura

Entenda o que é a vitrectomia, quando ela é indicada, como é realizada, riscos, recuperação, pós-operatório e principais doenças tratadas. Saiba quando a cirurgia é necessária.
Vitrectomia: o que é, quando é indicada e como funciona a cirurgia
A vitrectomia é uma cirurgia oftalmológica utilizada para tratar diversas doenças que acometem a retina e o vítreo. O procedimento consiste na remoção parcial ou total do humor vítreo, um gel transparente que ocupa a maior parte do interior do olho, permitindo o tratamento de alterações que podem comprometer seriamente a visão.
Graças aos avanços tecnológicos, a vitrectomia tornou-se uma cirurgia minimamente invasiva, segura e altamente eficaz, sendo um dos procedimentos mais importantes da cirurgia vitreorretiniana moderna.
Neste artigo, você entenderá como a cirurgia é realizada, em quais situações ela é indicada, quais são os riscos, como ocorre a recuperação e quais cuidados devem ser adotados no pós-operatório.
O que é o humor vítreo?
O humor vítreo é uma substância gelatinosa e transparente composta por aproximadamente 99% de água, além de fibras de colágeno e ácido hialurônico. Ele preenche praticamente toda a cavidade posterior do olho, localizada entre o cristalino e a retina.
Sua principal função é manter o formato do globo ocular e servir como meio transparente para a passagem da luz até a retina.
A retina, por sua vez, é a estrutura responsável por captar as imagens e transformá-las em impulsos nervosos que serão enviados ao cérebro através do nervo óptico. Qualquer alteração envolvendo o vítreo ou a retina pode causar perda visual importante.
O que é a cirurgia de vitrectomia?
A vitrectomia é uma cirurgia realizada para remover parte ou todo o humor vítreo quando ele interfere na visão ou impede o tratamento adequado de doenças intraoculares.
Durante o procedimento, o cirurgião utiliza instrumentos extremamente delicados introduzidos através de pequenas incisões na esclera, a parte branca do olho.
Após sua remoção, o espaço é preenchido temporariamente com uma solução balanceada (BSS), gás expansível, óleo de silicone ou outro material adequado, dependendo da doença tratada e da necessidade de manter a retina em posição.
Como o vítreo é constituído quase totalmente por água, sua substituição por solução balanceada normalmente não provoca alterações perceptíveis na visão relacionadas apenas à ausência desse gel.
Como a vitrectomia é realizada?
A cirurgia é realizada em ambiente hospitalar, utilizando equipamentos de alta precisão e sistemas de microincisão.
Na maioria dos casos, o procedimento é feito com anestesia local associada à sedação, proporcionando conforto ao paciente durante toda a cirurgia. Em situações específicas, como crianças, pacientes pouco colaborativos ou casos muito complexos, pode ser indicada anestesia geral.
A duração da cirurgia varia conforme a doença tratada, podendo levar entre 30 minutos e algumas horas.
Após o término do procedimento, o paciente geralmente recebe alta no mesmo dia.
Quando a vitrectomia é indicada?
A vitrectomia pode ser indicada em diversas doenças que afetam a retina, o vítreo e outras estruturas internas do olho.
Entre as principais indicações estão:
Descolamento de retina.
Buraco macular.
Membrana epirretiniana (pucker macular).
Hemorragia vítrea (hemovítreo).
Retinopatia diabética proliferativa.
Complicações decorrentes da cirurgia de catarata.
Traumas oculares com corpo estranho intraocular.
Inflamações intraoculares selecionadas.
Algumas infecções oculares.
Casos específicos de moscas volantes que causam grande impacto na qualidade visual.
A indicação da cirurgia depende sempre da avaliação realizada pelo oftalmologista especialista em retina e vítreo.
Doenças tratadas com a vitrectomia
Vitrectomia na retinopatia diabética
A retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira em adultos. Nas fases mais avançadas da doença, ocorre o crescimento de vasos sanguíneos anormais sobre a retina.
Esses vasos são frágeis e podem romper facilmente, provocando hemorragias dentro do vítreo.
Além disso, podem formar membranas que tracionam a retina, levando ao descolamento tracional.
Nesses casos, a vitrectomia permite:
remover o sangue acumulado no interior do olho;
retirar membranas fibrovasculares;
aliviar as trações sobre a retina;
aplicar laser na retina durante a cirurgia;
utilizar gás ou óleo de silicone quando necessário.
Vitrectomia para descolamento de retina
O descolamento de retina representa uma emergência oftalmológica.
Nessa condição, a retina se separa da camada que a nutre, interrompendo seu funcionamento adequado. Sem tratamento rápido, pode ocorrer perda permanente da visão.
Durante a cirurgia, o especialista reposiciona a retina e pode utilizar diferentes recursos, como:
remoção do vítreo;
aplicação de laser;
crioterapia em alguns casos;
utilização de gás intraocular;
óleo de silicone;
associação com introflexão escleral (banda ou faixa escleral), quando indicada.
A escolha da técnica depende das características de cada paciente.
Buraco macular
O buraco macular consiste em uma abertura localizada na mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes.
Os sintomas costumam incluir:
visão borrada;
distorção das imagens;
dificuldade para leitura;
perda da visão central.
A vitrectomia remove as forças de tração exercidas pelo vítreo e geralmente é acompanhada da remoção da membrana limitante interna, favorecendo o fechamento do buraco macular.
Membrana epirretiniana (Pucker macular)
A membrana epirretiniana é um tecido fibroso que cresce sobre a superfície da retina, especialmente na região macular.
Esse tecido provoca enrugamento da retina, levando a sintomas como:
visão distorcida;
redução da acuidade visual;
dificuldade para enxergar linhas retas.
Durante a vitrectomia, essa membrana é cuidadosamente removida com instrumentos específicos, permitindo melhora visual em muitos pacientes.
Hemorragia vítrea
A presença de sangue dentro do vítreo impede a passagem da luz até a retina.
As principais causas incluem:
retinopatia diabética;
traumas oculares;
ruptura de vasos retinianos;
descolamento de retina.
Quando o sangue não é absorvido espontaneamente ou impede a avaliação e o tratamento da retina, a vitrectomia é indicada para remover o conteúdo hemorrágico.
Complicações da cirurgia de catarata
Em algumas situações raras, pode ocorrer ruptura da cápsula posterior durante a cirurgia de catarata, permitindo que fragmentos do cristalino caiam para a cavidade vítrea.
Nesses casos, a vitrectomia é utilizada para remover o vítreo comprometido e recuperar os fragmentos, reduzindo o risco de inflamação e outras complicações.
Tipos de vitrectomia
Vitrectomia via pars plana (vitrectomia posterior)
A vitrectomia via pars plana é a técnica mais utilizada atualmente.
São realizadas pequenas incisões na esclera, geralmente entre 3,5 e 4 milímetros do limbo da córnea, permitindo a introdução dos instrumentos cirúrgicos.
Essa abordagem possibilita o tratamento da maioria das doenças da retina e do vítreo.
Durante o procedimento, o cirurgião pode utilizar laser intraoperatório para tratar rupturas retinianas, áreas de isquemia ou prevenir novos descolamentos da retina.
Vitrectomia anterior
A vitrectomia anterior é realizada através da porção anterior do olho, normalmente pela córnea.
É indicada principalmente quando há prolapso do vítreo para a câmara anterior, situação que pode ocorrer durante complicações da cirurgia de catarata ou em alguns tipos de trauma ocular.
Quais são os riscos da vitrectomia?
Embora seja considerada uma cirurgia segura quando realizada por especialistas, toda intervenção cirúrgica apresenta riscos.
Entre as possíveis complicações estão:
infecção intraocular (endoftalmite);
hemorragias;
aumento da pressão intraocular;
descolamento de retina;
edema macular;
recorrência da doença de base;
necessidade de novas cirurgias;
desenvolvimento ou aceleração da catarata.
A maioria dessas complicações é incomum, e muitas podem ser tratadas quando diagnosticadas precocemente.
Vitrectomia causa catarata?
O desenvolvimento de catarata é uma das consequências mais frequentes após a vitrectomia em pacientes que ainda possuem o cristalino natural.
Em muitos casos, ocorre aceleração da opacificação do cristalino nos meses ou anos seguintes ao procedimento.
Esse processo está relacionado principalmente às alterações no ambiente intraocular após a retirada do vítreo e ao aumento da exposição do cristalino ao oxigênio, embora outros fatores também possam contribuir.
Quando necessário, a catarata pode ser tratada posteriormente por meio da cirurgia de catarata.
Como é o pós-operatório da vitrectomia?
Na maioria dos casos, a cirurgia é realizada em regime ambulatorial, permitindo que o paciente receba alta no mesmo dia.
Nos primeiros dias é comum ocorrer:
vermelhidão ocular;
sensação de areia nos olhos;
leve desconforto;
visão temporariamente embaçada.
O médico prescreve colírios antibióticos e anti-inflamatórios, que devem ser utilizados rigorosamente conforme orientação.
As consultas de acompanhamento são fundamentais para monitorar a cicatrização e identificar precocemente qualquer complicação.
Como é a recuperação após a vitrectomia?
O tempo de recuperação varia conforme a doença tratada e a complexidade da cirurgia.
Em procedimentos mais simples, a recuperação visual pode ocorrer em poucas semanas. Já em doenças retinianas complexas, a melhora da visão pode levar vários meses.
Quando é utilizado gás intraocular, alguns cuidados são indispensáveis:
manter a posição da cabeça orientada pelo cirurgião;
evitar viagens de avião;
não subir para grandes altitudes;
informar outros médicos sobre a presença do gás antes de qualquer procedimento anestésico.
A bolha de gás é absorvida naturalmente ao longo de algumas semanas. Durante esse período, o paciente perceberá uma linha móvel no campo visual, que desaparece conforme o gás é reabsorvido.
Nos casos em que é utilizado óleo de silicone, poderá ser necessária uma segunda cirurgia para sua retirada.
A visão volta ao normal após a vitrectomia?
A recuperação visual depende principalmente da doença que motivou a cirurgia e do grau de comprometimento da retina antes do tratamento.
Pacientes submetidos à vitrectomia por hemorragia vítrea isolada, com retina preservada, frequentemente apresentam excelente recuperação visual.
Por outro lado, doenças avançadas, como descolamentos extensos da retina, retinopatia diabética proliferativa grave ou lesões envolvendo a mácula, podem limitar a recuperação da visão, mesmo após uma cirurgia tecnicamente bem-sucedida.
O objetivo da vitrectomia é preservar a visão existente, restaurar a anatomia ocular e oferecer as melhores condições para recuperação funcional possível.
Quanto custa uma vitrectomia?
O valor da cirurgia de vitrectomia pode variar conforme diversos fatores, incluindo:
a doença tratada;
a complexidade do procedimento;
os materiais utilizados, como gás ou óleo de silicone;
o hospital escolhido;
a equipe cirúrgica.
Por esse motivo, somente uma avaliação com um oftalmologista especialista em retina permite definir a necessidade da cirurgia e fornecer um orçamento individualizado.
Perguntas frequentes sobre vitrectomia
A vitrectomia dói?
Não. A cirurgia é realizada com anestesia local associada à sedação ou, em situações específicas, sob anestesia geral. Após o procedimento, pode haver leve desconforto, geralmente controlado com medicação.
A vitrectomia é uma cirurgia segura?
Sim. Atualmente, a vitrectomia é considerada um procedimento seguro, principalmente quando realizada por um cirurgião especialista em retina e vítreo e com equipamentos modernos.
É possível voltar a trabalhar após a cirurgia?
Depende da doença tratada e da atividade profissional. Em casos que exigem posicionamento da cabeça ou uso de gás intraocular, o afastamento pode ser maior. O retorno deve ser definido pelo médico.
Quem faz vitrectomia?
A cirurgia é realizada por um oftalmologista com formação específica em retina e vítreo, área responsável pelo diagnóstico e tratamento das doenças da retina, vítreo e mácula.
Conclusão
A vitrectomia é uma das cirurgias mais importantes da oftalmologia moderna e desempenha papel fundamental no tratamento de diversas doenças que podem causar perda visual irreversível. Com técnicas minimamente invasivas, equipamentos de alta precisão e acompanhamento especializado, é possível tratar condições complexas da retina e do vítreo com elevados índices de sucesso.
O diagnóstico precoce e a avaliação por um oftalmologista especialista são determinantes para indicar o momento ideal da cirurgia e aumentar as chances de recuperação visual.




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