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Blefarite

  • Foto do escritor: Dra. Alléxya Affonso
    Dra. Alléxya Affonso
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
blefarite


Veja opções atualizadas, incluindo higiene palpebral, colírios e luz pulsada (IPL).


O que é blefarite?


A blefarite é uma inflamação crônica que acomete a borda das pálpebras, região onde nascem os cílios. Trata-se de uma condição frequente na prática oftalmológica, responsável por sintomas como vermelhidão ocular, coceira, ardor, sensação de corpo estranho (“areia nos olhos”), dor leve e presença de descamação ou crostas na base dos cílios.


Pode ocorrer em qualquer faixa etária e em ambos os sexos. Embora muitas vezes subvalorizada, a blefarite pode impactar significativamente a qualidade de vida, especialmente por seu caráter recorrente, com períodos de melhora intercalados com exacerbações.


Em estágios mais avançados, pode haver alterações estruturais das pálpebras, incluindo cicatrizes, desalinhamento dos cílios (triquíase) e aumento do desconforto ocular.


A inflamação pode afetar tanto a pálpebra superior quanto a inferior, sendo mais comum em pacientes com pele oleosa, dermatite seborreica ou síndrome do olho seco.


Causas da blefarite


A origem da blefarite é multifatorial. Na maioria dos casos, está relacionada ao crescimento excessivo de bactérias que fazem parte da microbiota normal da pele.


Esse desequilíbrio costuma estar associado à disfunção das glândulas de Meibômio, responsáveis pela produção da camada lipídica do filme lacrimal. Quando essas glândulas não funcionam adequadamente, há aumento da oleosidade local e maior predisposição à inflamação.


A blefarite frequentemente ocorre em associação com outras condições oftalmológicas e sistêmicas, como:

  • Olho seco

  • Conjuntivite

  • Hordéolo (terçol)

  • Calázio

  • Triquíase


Além disso, pode estar relacionada a doenças como rosácea, dermatite seborreica e síndrome de Sjögren.

Fatores ambientais, como baixa umidade do ar e exposição a ambientes secos ou com ar-condicionado, podem agravar os sintomas.


Tipos de blefarite


A blefarite pode ser classificada de acordo com sua causa e apresentação clínica. Em geral, acomete ambos os olhos (bilateralmente).


Blefarite estafilocócica

Relacionada a uma resposta inflamatória exacerbada à bactéria Staphylococcus aureus. Caracteriza-se por hiperemia palpebral, edema, crostas aderidas e possível perda de cílios (madarose), além de alterações como triquíase e poliose.


Blefarite seborreica

Associada ao aumento da secreção sebácea. Apresenta crostas amareladas e oleosas na base dos cílios, sendo frequentemente observada em pacientes com dermatite seborreica.


Blefarite escamosa

Termo frequentemente utilizado como sinônimo de blefarite seborreica, destacando a presença de escamas na margem palpebral.


Blefarite alérgica

Decorre de reações a agentes externos, como cosméticos, medicamentos ou picadas de insetos. Os sintomas incluem edema palpebral, prurido intenso, descamação, vermelhidão e lacrimejamento. Pode coexistir com rinite alérgica e asma.


Sintomas da blefarite


Os sinais e sintomas podem variar em intensidade, mas os mais comuns incluem:

  • Hiperemia ocular (olhos vermelhos)

  • Ardor e sensação de corpo estranho

  • Crostas ou descamação nos cílios

  • Edema e vermelhidão das pálpebras

  • Lacrimejamento excessivo

  • Fotossensibilidade

  • Intolerância a lentes de contato

  • Episódios recorrentes de terçol ou cílios mal posicionados


Por ser uma condição crônica, os sintomas tendem a apresentar comportamento cíclico.


Blefarite tem cura?


A blefarite não possui cura definitiva. No entanto, é possível obter excelente controle clínico com tratamento adequado e regularidade nos cuidados. O objetivo é reduzir a inflamação, aliviar os sintomas e prevenir recorrências.


Tratamento da blefarite


A abordagem terapêutica deve ser individualizada, considerando a causa, a gravidade e as condições associadas.


Higiene palpebral (base do tratamento)


A limpeza diária das pálpebras é fundamental no controle da blefarite.

Recomenda-se:

  • Compressas mornas sobre as pálpebras por 10 a 15 minutos, duas vezes ao dia

  • Higienização suave da margem palpebral

  • Uso de produtos específicos para limpeza palpebral, quando indicados


Essa rotina auxilia na desobstrução das glândulas de Meibômio e na remoção de secreções e crostas.


Colírios e pomadas


Podem ser utilizados conforme a necessidade:

  • Lágrimas artificiais para melhorar a lubrificação ocular

  • Antibióticos tópicos em casos bacterianos

  • Pomadas oftálmicas aplicadas na margem dos cílios

  • Antibióticos orais em situações mais graves ou refratárias


Pacientes com blefarite podem apresentar sensibilidade a conservantes, sendo preferível o uso de formulações sem conservantes, quando indicado.


Corticoides


Indicados em casos de inflamação mais intensa, sempre sob prescrição médica. O uso deve ser criterioso e por tempo limitado, devido ao risco de efeitos adversos, como aumento da pressão intraocular e formação de catarata.


Luz pulsada intensa (IPL)


A luz pulsada intensa (IPL) é uma opção moderna e eficaz no tratamento da blefarite associada à disfunção das glândulas de Meibômio.


Esse método atua:

  • Reduzindo a inflamação local

  • Melhorando a função das glândulas

  • Diminuindo a proliferação bacteriana e a presença de ácaros (como Demodex)

  • Estabilizando o filme lacrimal


O tratamento é realizado em sessões, com tecnologia específica e protocolo definido pelo oftalmologista. É especialmente indicado em casos crônicos, recorrentes ou refratários ao tratamento convencional.


Blefarite crônica e acompanhamento


Devido ao caráter persistente da blefarite, o acompanhamento oftalmológico regular é essencial. Apesar de o tratamento ser, em geral, simples, ele exige adesão contínua.


A combinação entre higiene adequada, tratamento medicamentoso quando necessário e terapias complementares, como a luz pulsada, permite controle eficaz da doença e melhora significativa da qualidade de vida.


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