Cirurgia Refrativa para Astigmatismo
- Dra. Alléxya Affonso

- 20 de abr.
- 6 min de leitura

Cirurgia Refrativa para Astigmatismo: Uma Visão Detalhada
Descubra como a cirurgia refrativa a laser corrige o astigmatismo, melhorando sua visão. Conheça as técnicas modernas, candidatos ideais, riscos e recuperação. Agende sua avaliação!
Entendendo o Astigmatismo e a Correção a Laser
O astigmatismo é um erro refrativo comum, caracterizado por uma córnea com formato irregular, semelhante a uma bola de futebol americano em vez de uma bola de basquete. Essa assimetria causa múltiplos pontos focais, resultando em visão embaçada ou distorcida tanto para perto quanto para longe. Pacientes com astigmatismo frequentemente relatam dificuldade em perceber pontos luminosos, especialmente ao dirigir à noite, devido à dispersão da luz.
A cirurgia refrativa a laser surge como uma solução eficaz para remodelar a córnea e corrigir essa irregularidade, proporcionando uma visão nítida sem a necessidade de óculos ou lentes de contato. Graças aos avanços tecnológicos nos perfis de tratamento a laser, hoje é possível corrigir um amplo espectro de erros refrativos, incluindo astigmatismo associado à miopia, hipermetropia ou casos mistos.
A Evolução da Cirurgia LASIKA
A técnica de cirurgia refrativa a laser mais conhecida e difundida é o LASIK (do inglês LASER-Assisted In Situ Keratomileusis), realizada com sucesso pela primeira vez em 1990. Inicialmente, o procedimento utilizava um microcerátomo, uma lâmina motorizada, para criar um fino flap (lamela) na córnea. Sob esse flap, a energia do laser excimer era aplicada para remodelar o tecido corneano.
O laser excimer é notável por sua precisão milimétrica, capaz de alterar o tecido com uma exatidão de cerca de um milésimo de milímetro, sem danificar as áreas adjacentes. Isso permite um remodelamento preciso da córnea para corrigir os erros refrativos.
Avanços Tecnológicos que Transformaram o LASIK
Nas últimas três décadas, o LASIK passou por uma revolução tecnológica, tornando-se ainda mais seguro e eficaz. Dois grandes avanços se destacam:
Diagnóstico Aprimorado: A introdução de exames como a tomografia corneana por câmera Scheimpflug e os aberrometros Hartmann-Shack e Tscherning revolucionou a avaliação pré-operatória. Esses instrumentos permitem uma caracterização detalhada da morfologia da córnea e do perfil total de aberrações ópticas. Com isso, o oftalmologista consegue identificar com segurança os candidatos ideais à cirurgia refrativa a laser e planejar o perfil de correção mais adequado.
Laser de Femtosegundo: A chegada do laser de femtosegundo eliminou a necessidade de lâminas motorizadas para criar o flap corneano. Na técnica Femto-LASIK, todo o procedimento é realizado integralmente com energia laser. A extrema precisão do laser de femtosegundo reduziu significativamente as complicações, que, embora raras, poderiam ocorrer no LASIK tradicional com microcerátomo.
Quem Pode Fazer a Cirurgia Refrativa para Astigmatismo?
Os candidatos ideais para a correção da visão a laser devem ter, preferencialmente, mais de 20 anos de idade e apresentar estabilidade do erro refrativo por pelo menos dois anos (variação inferior a 0,5 dioptria).
Tradicionalmente, o tratamento por cirurgia refrativa a laser abrange de 4 dioptrias de hipermetropia até 11 dioptrias de miopia. Para o astigmatismo, é possível corrigir com segurança até 4 dioptrias. No entanto, os perfis de ablação a laser mais recentes (Custom Q e topography-guided) têm permitido expandir o limite máximo de astigmatismo tratável. O limite real para cada olho dependerá da curvatura e espessura da córnea a ser tratada.
Como é Realizada a Cirurgia Refrativa no Astigmatismo?
Para que o tratamento do astigmatismo por cirurgia a laser seja eficaz, é fundamental equilibrar e corrigir os dois eixos da córnea com geometria diferente. Nesses casos, é ainda mais importante considerar as aberrações de alta ordem (como aberração esférica, coma e trefoil), que são imperfeições ópticas presentes em todas as córneas, mas tendem a ser mais elevadas em pacientes com astigmatismo ou outras patologias da superfície ocular, como olho seco.
Essas imperfeições não podem ser corrigidas com óculos ou lentes de contato. Antigamente, os primeiros lasers excimer poderiam até aumentar essas aberrações, resultando em uma leve diminuição da qualidade visual, mesmo após a correção do erro refrativo. Felizmente, surgiram perfis de tratamento aprimorados, dedicados a esses casos mais desafiadores:
Wavefront-Optimized (WFO): Um perfil de tratamento simples, rápido e seguro que considera a curvatura do olho para minimizar a alteração da aberração esférica pré-existente. Proporciona excelente visão com mínima deterioração da imagem em condições de baixa luminosidade.
Wavefront-Guided (WFG): Mais avançado, é benéfico em casos de miopia ou astigmatismo (miópico ou hipermetrópico) mais elevados. Além da topografia da córnea, utiliza a aberrometria para caracterizar o total de aberrações ópticas do olho. Os dados são importados para o laser, que programa um tratamento LASIK para corrigir o erro refrativo e minimizar ou eliminar as aberrações de alta ordem, melhorando a qualidade visual global.
Topography-Guided (T-CAT): Nesta modalidade, os dados da topografia da córnea são importados para o laser, e o tratamento é planejado para eliminar o erro refrativo e criar uma superfície corneana livre de imperfeições. Um algoritmo avançado mapeia cerca de 22.000 pontos individuais na córnea, calculando as aberrações ópticas pré-existentes a serem tratadas.
Teoricamente, a combinação dessas tecnologias oferece a melhor redução/eliminação da “graduação” e a melhor qualidade de visão em termos de percepção de luz, cores e contraste.
Em resumo, o conhecimento e a utilização da mais recente tecnologia de diagnóstico e tratamento a laser permitem aprimorar ainda mais os resultados e a segurança de um procedimento que já era um dos mais eficazes na prática médica. Atualmente, o oftalmologista consegue tratar não apenas miopia e hipermetropia consideradas “simples”, mas também corrigir com sucesso casos de astigmatismos elevados.
A experiência e o conhecimento dos benefícios das modalidades explicadas acima permitem ao oftalmologista selecionar o melhor tratamento para cada olho, considerando também fatores inerentes ao estilo de vida do paciente (exigência visual em atividades profissionais ou de lazer).
A cirurgia LASIK evoluiu para tratamentos verdadeiramente personalizados, que visam corrigir simultaneamente o erro refrativo e melhorar ou eliminar as imperfeições ópticas da córnea, proporcionando a melhor qualidade de visão a todos os pacientes que buscam esse tratamento.
O Processo da Cirurgia Femto-LASIK Topoguiada
Mapeamento da Córnea: Os dados obtidos na topografia da córnea são importados para o sistema do laser excimer. O oftalmologista seleciona os mapas de melhor qualidade e planeja o tratamento personalizado topoguiado. O objetivo é corrigir o erro refrativo e as microimperfeições da superfície corneana.
Criação do Flap: O laser de femtosegundo é aplicado sobre a córnea, que é fixada por vácuo. Após a verificação do correto centramento, a energia do laser é ativada para criar um fino flap de 100 µm de espessura.
Aplicação do Laser Excimer: O flap corneano é rebatido pelo cirurgião, e imediatamente em seguida, a energia do laser excimer é aplicada para remodelar a córnea e eliminar o erro refrativo.
Riscos Associados à Cirurgia de Astigmatismo
A técnica moderna de Femto-LASIK, personalizada por aberrometria ou topografia, diminuiu significativamente a probabilidade (que já era baixa) de complicações sérias com impacto na visão. A alta precisão dos topógrafos/tomógrafos de córnea utilizados na avaliação pré-operatória permite selecionar os casos ideais para um LASIK eficaz e adaptar o tratamento às especificidades de cada olho.
Contudo, é importante que os candidatos ao LASIK estejam cientes de alguns riscos potenciais, tais como:
Olho Seco: Sintomas de desconforto ocular, semelhantes aos do uso prolongado de lentes de contato. Geralmente, respondem bem ao tratamento com lágrimas artificiais e tendem a ser temporários.
Erro Refrativo Residual: Em casos mais complexos, como astigmatismos mistos, pode não ser possível alcançar 100% de correção em um único tratamento, exigindo um segundo procedimento cerca de 2-3 meses depois.
Diminuição do Contraste na Visão Noturna e Perturbações Luminosas (halos, raios estrelados): A probabilidade desses fenômenos diminuiu drasticamente com os perfis de tratamento personalizados, mas ainda podem ocorrer em tratamentos mais extremos, no limite das possibilidades técnicas do LASIK.
Microestrias no Flap Superficial da Córnea: Muito raro na técnica Femto-LASIK. Se ocorrerem na área central, podem necessitar de um retratamento para reposicionamento do flap.
Infecção ou Inflamação Lamelar da Córnea: Uma complicação felizmente raríssima. Pode ocorrer em casos com predisposição a agentes infecciosos (histórico de blefarite, calázios, herpes ocular, etc.). Se detectada nas primeiras horas após o tratamento, é tratável com colírios. Casos mais complicados podem exigir reintervenção.
Pós-operatório da Cirurgia de Astigmatismo
A eficácia do LASIK é amplamente reconhecida na comunidade científica, com estudos recentes indicando que 98,6% dos pacientes tratados atingem visão funcional sem a necessidade de óculos (inferior a 1,00 dioptria).
A recuperação visual é muito rápida, ocorrendo em poucas horas a poucos dias após a cirurgia, dependendo da complexidade da correção. O período pós-operatório é geralmente confortável, sendo o principal sintoma, nos primeiros dias, a secura ocular, que responde bem a colírios lubrificantes e se resolve nas semanas seguintes.
Por ser um procedimento ambulatorial realizado sob anestesia local, normalmente não há período de incapacidade, sendo possível retomar as atividades profissionais no dia seguinte. Da mesma forma, não há impedimento para a prática de atividade física, mas esportes de contato são desaconselhados nas primeiras semanas após o LASIK.
Quanto Custa uma Cirurgia Refrativa?
No Brasil, o preço de uma cirurgia refrativa LASIK para astigmatismo varia de acordo com o plano de saúde do paciente e a clínica escolhida. Contudo, a longo prazo, o custo tende a ser mais vantajoso em comparação com os gastos acumulados em óculos e lentes de contato, especialmente em casos com erros refrativos elevados.




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