top of page

Deficiência de Vitamina A

  • Foto do escritor: Dra. Alléxya Affonso
    Dra. Alléxya Affonso
  • há 8 horas
  • 3 min de leitura
Deficiência de Vitamina A

Como a deficiência de vitamina A pode afetar a visão e quais são os principais sinais nos olhos?



A deficiência de vitamina A pode causar olho seco, cegueira noturna e alterações na retina. Saiba quais são os sintomas, fatores de risco, diagnóstico e tratamento precoce para prevenir a perda visual.


Deficiência de vitamina A: como ela pode comprometer a saúde dos olhos


A vitamina A é essencial para o funcionamento normal dos olhos. Além de participar do ciclo visual, ela mantém a integridade da superfície ocular e é indispensável para o funcionamento dos fotorreceptores da retina. Quando seus níveis estão reduzidos, podem surgir desde sintomas leves, como dificuldade para enxergar no escuro, até complicações graves, incluindo úlceras de córnea e perda permanente da visão.


Embora a deficiência de vitamina A seja mais frequentemente associada à desnutrição, estudos recentes mostram que ela também ocorre em adultos com doenças gastrointestinais e hepáticas, sendo uma causa frequentemente subdiagnosticada de alterações oculares potencialmente reversíveis.


O que causa a deficiência de vitamina A?


A deficiência pode ocorrer por ingestão insuficiente, mas, em países desenvolvidos, a principal causa costuma ser a redução da absorção intestinal ou alterações no metabolismo da vitamina.


Os principais fatores de risco incluem:

  • cirurgia bariátrica;

  • doença de Crohn;

  • retocolite ulcerativa;

  • doença celíaca;

  • insuficiência pancreática;

  • cirrose hepática;

  • doença hepática gordurosa;

  • outras doenças que comprometem a absorção de gorduras.


Como o fígado é responsável pelo armazenamento da vitamina A, doenças hepáticas também podem reduzir sua disponibilidade para o organismo.


Quais são os sintomas oculares?


Os sintomas costumam surgir de forma gradual e podem ser confundidos com outras doenças oftalmológicas.


Os principais sinais incluem:

  • dificuldade para enxergar em ambientes escuros (cegueira noturna ou nictalopia);

  • visão embaçada;

  • sensação de areia nos olhos;

  • ressecamento ocular persistente;

  • sensibilidade à luz;

  • redução progressiva da visão.


Em casos mais avançados, podem ocorrer lesões importantes na córnea, com risco de perfuração e perda visual permanente.


Como a deficiência de vitamina A afeta os olhos?


Alterações da superfície ocular


Mais de 80% dos pacientes avaliados em um estudo recente apresentavam alterações da superfície ocular, incluindo:


  • olho seco;

  • erosões do epitélio da córnea;

  • defeitos epiteliais persistentes;

  • manchas de Bitot;

  • úlceras de córnea;

  • perfuração corneana nos casos mais graves.


Alterações da retina


A deficiência também pode comprometer o segmento posterior do olho.


Entre as alterações descritas estão:

  • depósitos sub-retinianos semelhantes a drusas;

  • alterações do epitélio pigmentar da retina;

  • lesões maculares placoides;

  • neuropatia óptica;

  • alterações estruturais da retina observadas na tomografia de coerência óptica (OCT).


Essas alterações decorrem da interrupção do ciclo visual, processo no qual a vitamina A é fundamental para o funcionamento dos bastonetes e cones.


Como é feito o diagnóstico?


O diagnóstico é baseado na combinação da história clínica, exame oftalmológico e confirmação laboratorial.


Além da dosagem sérica de vitamina A, o oftalmologista pode solicitar exames complementares, como:


  • tomografia de coerência óptica (OCT);

  • eletrorretinograma (ERG);

  • campo visual;

  • retinografia;

  • autofluorescência da retina.


Esses exames ajudam a identificar alterações estruturais e funcionais da retina e permitem acompanhar a recuperação após o tratamento.


O tratamento tem cura?


Na maioria dos casos, sim.

O tratamento consiste principalmente na reposição de vitamina A e no controle da doença responsável pela deficiência. Em pacientes com doenças gastrointestinais ou hepáticas, o acompanhamento conjunto com gastroenterologista, hepatologista ou clínico é fundamental.


Um dos achados mais importantes do estudo foi que todos os pacientes tratados apresentaram melhora subjetiva da visão, além de recuperação parcial ou completa das alterações da córnea e da retina, demonstrando que muitas lesões são reversíveis quando o diagnóstico é realizado precocemente.


Quando suspeitar de deficiência de vitamina A?


A investigação deve ser considerada principalmente em pacientes que apresentam:

  • nictalopia;

  • olho seco intenso sem causa aparente;

  • úlceras de córnea de difícil cicatrização;

  • depósitos sub-retinianos no exame de retina;

  • história de cirurgia bariátrica;

  • doença intestinal crônica;

  • doença hepática;

  • síndromes de má absorção.


Nesses pacientes, a dosagem sérica de vitamina A pode permitir o diagnóstico precoce e evitar complicações irreversíveis.


Conclusão


A deficiência de vitamina A é uma causa tratável de comprometimento visual que permanece subdiagnosticada, especialmente em adultos com doenças gastrointestinais e hepáticas. O reconhecimento precoce dos sintomas, associado à avaliação oftalmológica completa e à investigação da causa sistêmica, permite iniciar o tratamento antes do aparecimento de sequelas permanentes. Em pacientes de risco, a deficiência de vitamina A deve sempre fazer parte dos diagnósticos diferenciais diante de nictalopia, olho seco grave ou alterações retinianas inexplicadas.

whatsapp
bg.jpg

Copyright 2026 © Alléxya Affonso.

Todos os direitos reservados.

Desenvolvimento:

Logo Tellow Design
bottom of page