Pterígio
- Dra. Alléxya Affonso

- há 3 dias
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Pterígio: o que é, sintomas, causas e tratamento
O que é pterígio?
O pterígio é uma alteração da conjuntiva (membrana transparente que recobre a parte branca do olho) caracterizada pelo crescimento de um tecido fibrovascular em direção à córnea. Esse avanço pode atingir a região central do olho (pupila), comprometendo a visão em estágios mais avançados.
Popularmente, o pterígio é conhecido como “carne crescida no olho”, devido ao seu aspecto visível.
Em geral, apresenta crescimento lento e progressivo ao longo dos anos, podendo estabilizar em alguns casos. No entanto, quando evolui, pode causar alterações na curvatura da córnea (induzindo astigmatismo) e, em situações mais graves, bloquear o eixo visual.
O pterígio pode acometer um ou ambos os olhos (bilateral) e é mais frequente em indivíduos expostos de forma crônica a fatores ambientais como sol, vento e poeira.
Embora frequentemente benigno, pode gerar desconforto ocular significativo e impacto visual dependendo da sua evolução.
Sintomas do pterígio
A apresentação clínica varia conforme o estágio da lesão. Em fases iniciais, pode não haver sintomas. Com a progressão, os sinais e sintomas mais comuns incluem:
Sensação de areia ou corpo estranho nos olhos
Irritação ocular e vermelhidão
Ardor ou queimação
Coceira
Lacrimejamento
Visão turva
Em casos mais avançados:
Inflamação persistente
Astigmatismo induzido pela tração corneana
Comprometimento da visão quando atinge o eixo visual
Causas do pterígio
O desenvolvimento do pterígio está fortemente associado a fatores ambientais e condições da superfície ocular.
Principais fatores envolvidos:
Exposição prolongada à radiação ultravioleta (UV)
Ambientes com vento, poeira e poluição
Olho seco (instabilidade do filme lacrimal)
A doença é mais comum em adultos jovens, especialmente entre 20 e 40 anos, com maior incidência em indivíduos que trabalham ao ar livre.
Relação com a pinguécula
O pterígio frequentemente é precedido por uma condição chamada pinguécula, que se apresenta como uma pequena elevação amarelada na conjuntiva, próxima à córnea.
Ambas compartilham fatores de risco semelhantes, principalmente a exposição solar crônica sem proteção adequada.
A pinguécula pode causar desconforto ocular e contribuir para o ressecamento da superfície ocular, favorecendo a progressão para pterígio.
Prevenção do pterígio
A prevenção está diretamente relacionada à proteção contra fatores ambientais.
Medidas recomendadas:
Uso regular de óculos escuros com proteção UV
Proteção ocular mesmo em dias nublados
Atenção à exposição solar durante atividades ao ar livre
Uso de lubrificantes oculares quando indicado
É importante destacar que vidros laterais de veículos geralmente não bloqueiam totalmente a radiação ultravioleta, reforçando a necessidade de proteção adicional.
Tratamento do pterígio

A conduta depende da intensidade dos sintomas e da progressão da lesão.
Tratamento clínico
Nos casos leves ou assintomáticos, pode-se optar por acompanhamento e medidas conservadoras:
Lubrificantes oculares (lágrimas artificiais)
Colírios anti-inflamatórios em fases de exacerbação
-- O objetivo é controlar os sintomas e reduzir a inflamação.
Quando indicar cirurgia de pterígio?
A cirurgia é considerada quando há:
Comprometimento da acuidade visual
Crescimento progressivo da lesão
Astigmatismo significativo
Sintomas persistentes não controlados clinicamente
Incômodo estético relevante
Cirurgia de pterígio
O procedimento cirúrgico consiste na remoção do tecido anormal (exérese do pterígio).
Após a retirada, é necessário recobrir a área exposta para reduzir o risco de recidiva. As principais técnicas incluem:
Enxerto conjuntival (tecido do próprio paciente)
Uso de membrana amniótica
Tradicionalmente, esses enxertos são fixados com suturas.
Cirurgia de pterígio com cola biológica
Uma técnica moderna consiste na utilização de cola biológica (cola de fibrina) para fixação do enxerto, substituindo os pontos cirúrgicos.
Vantagens da cirurgia com cola:
Menor tempo cirúrgico
Maior conforto no pós-operatório
Redução da inflamação local
Recuperação mais rápida
Menor sensação de corpo estranho em comparação com suturas
Essa abordagem tem sido amplamente utilizada por proporcionar melhor experiência ao paciente, mantendo bons resultados funcionais e estéticos.
Riscos e complicações
A principal complicação da cirurgia de pterígio é a recidiva (retorno da lesão).
Sem enxerto: taxas podem chegar a até 30%
Com enxerto (conjuntival ou membrana amniótica): entre 5% e 10%
Outras possíveis complicações incluem:
Cicatrização irregular
Indução de astigmatismo
Perfuração escleral (raro)
Pós-operatório da cirurgia de pterígio
O período pós-operatório costuma ser bem tolerado.
Condutas habituais incluem:
Uso de colírios com corticoide por semanas a meses
Acompanhamento regular com oftalmologista
Monitorização para recidiva, especialmente no primeiro ano
A maioria das recidivas ocorre nos primeiros 12 meses após a cirurgia.
Recuperação após a cirurgia
A recuperação costuma ser rápida, permitindo retorno às atividades em poucos dias.
Cuidados iniciais podem incluir:
Uso de oclusor ocular por cerca de 24 a 48 horas
Evitar exposição a poeira e sol nos primeiros dias
Seguir rigorosamente a prescrição médica
Considerações finais
O pterígio é uma condição comum da superfície ocular, com forte relação com fatores ambientais. Embora frequentemente benigno, pode evoluir com impacto visual e desconforto significativo.
O diagnóstico precoce, o acompanhamento regular e a escolha adequada do tratamento, incluindo técnicas modernas como a cirurgia com cola biológica, são fundamentais para um bom prognóstico e qualidade visual.




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