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Uveíte

  • Foto do escritor: Dra. Alléxya Affonso
    Dra. Alléxya Affonso
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura
uveíte


Saiba o que é uveíte, sintomas, causas infecciosas e autoimunes, tipos (anterior, posterior, intermediária) e tratamento. Entenda quando procurar o oftalmologista.


O que é uveíte?


A uveíte é um processo inflamatório que acomete a úvea, camada intermediária do olho, caracterizando uma inflamação intraocular potencialmente grave. Para compreender melhor essa condição, é importante conhecer a anatomia envolvida.


A úvea é composta por três estruturas principais:

  • Íris

  • Corpo ciliar

  • Coroide


O corpo ciliar e a coroide localizam-se entre a retina e a esclera (parte branca do olho) e desempenham papel fundamental no suprimento sanguíneo das camadas mais profundas da retina.


De acordo com a região afetada, a uveíte é classificada anatomicamente em:

  • Uveíte anterior

  • Uveíte intermediária

  • Uveíte posterior


Quando há comprometimento difuso de toda a úvea, utiliza-se o termo panuveíte.


Classificação quanto ao tempo de evolução


A doença também pode ser categorizada conforme sua duração:

  • Aguda: início súbito ou de evolução rápida

  • Subaguda: evolução intermediária

  • Crônica: inflamação persistente ou recorrente por mais de 3 meses após suspensão do tratamento


A uveíte pode afetar apenas um olho (unilateral) ou ambos (bilateral).


Gravidade da uveíte


Trata-se de uma condição que pode evoluir com complicações importantes, incluindo redução permanente da visão e, em casos extremos, cegueira. Por esse motivo, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais.


Sintomas da uveíte


Os sinais e sintomas variam conforme o tipo e a intensidade da inflamação, mas os mais frequentes incluem:

  • Hiperemia ocular (olhos vermelhos)

  • Fotofobia (sensibilidade à luz)

  • Visão turva

  • Dor ocular

  • Miose (pupila contraída) ou irregular

  • Cefaleia associada

  • Presença de “moscas volantes” (floaters)

  • Lacrimejamento


Em casos específicos, podem ser observados achados clínicos como:

  • Nódulos inflamatórios na íris (nódulos de Busacca)

  • Sinéquias posteriores (aderências intraoculares)


Embora haja sobreposição de sintomas entre os tipos, algumas características clínicas ajudam na diferenciação entre uveíte anterior, intermediária e posterior.


Causas da uveíte


A uveíte possui etiologia ampla e pode ser classificada em três grandes grupos:

  • Infecciosa

  • Autoimune (não infecciosa)

  • Idiopática (sem causa definida)


Além de ocorrer isoladamente, pode estar associada a doenças sistêmicas.

Causas autoimunes e inflamatórias


Diversas doenças sistêmicas estão relacionadas ao desenvolvimento de uveíte, especialmente aquelas de caráter inflamatório ou autoimune:


  • Doença de Behçet

  • Iridociclite heterocrômica de Fuchs

  • Granulomatose com poliangeíte

  • Uveíte associada ao HLA-B27

  • Artrite idiopática juvenil

  • Sarcoidose

  • Espondiloartrites

  • Oftalmia simpática

  • Síndrome de nefrite túbulo-intersticial associada à uveíte


Causas infecciosas


Embora menos frequentes, infecções intraoculares podem desencadear uveíte:

  • Toxoplasmose

  • Tuberculose

  • Sífilis

  • Herpes vírus

  • Toxocaríase

  • Histoplasmose ocular presumida

  • Doença de Lyme

  • Brucelose

  • Leptospirose


Nesses casos, a inflamação decorre da resposta imunológica ao agente infeccioso.


Fatores de risco


Alguns fatores aumentam a probabilidade de desenvolver uveíte:

  • Predisposição genética (ex.: HLA-B27)

  • Presença de doenças autoimunes

  • Infecções sistêmicas

  • Histórico de trauma ocular


É importante destacar que, especialmente na uveíte anterior, uma parcela significativa dos casos ocorre sem associação sistêmica identificável.


Uveíte associada ao HLA-B27


A uveíte anterior aguda é a forma mais comum da doença e frequentemente está associada ao antígeno HLA-B27.


Características típicas incluem:

  • Predominância no sexo masculino

  • Comprometimento unilateral alternado

  • Início súbito

  • Padrão não granulomatoso

  • Recorrências frequentes


Já nos casos HLA-B27 negativos, observa-se maior frequência em mulheres, evolução crônica, bilateralidade e padrão granulomatoso.


Uveíte tem cura?


uveíte

Em muitos casos, a uveíte pode ser controlada e tratada com sucesso, especialmente quando a causa é identificada precocemente. O prognóstico depende diretamente da etiologia, da rapidez no diagnóstico e da adesão ao tratamento.


Tratamento da uveíte


O tratamento é direcionado à causa e à gravidade da inflamação. As principais abordagens incluem:

  • Corticoides (colírios, via oral ou injeções)

  • Cicloplégicos (para aliviar dor e prevenir complicações)

  • Imunossupressores em casos autoimunes ou refratários

  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)

  • Antimicrobianos quando há etiologia infecciosa


O manejo deve ser individualizado e acompanhado por oftalmologista.


Classificação das uveítes


Uveíte anterior

Também chamada de irite ou iridociclite, é a forma mais comum. Afeta a íris e, eventualmente, o corpo ciliar.


Principais características:

  • Dor ocular

  • Vermelhidão

  • Fotofobia

  • Diminuição da visão

  • Miose

  • Precipitados ceráticos


Pode apresentar evolução aguda, recorrente ou crônica. Em casos graves, pode ocorrer hipópio (acúmulo de células inflamatórias na câmara anterior).


Uveíte posterior

Envolve a retina e a coroide (coriorretinite).


Características clínicas:

  • Início mais insidioso

  • Pouca dor

  • Visão turva

  • Moscas volantes


Está frequentemente associada a causas infecciosas ou inflamatórias sistêmicas.


Uveíte intermediária

Também conhecida como pars planite, acomete principalmente o vítreo.


Achados típicos:

  • Presença de células inflamatórias no vítreo (“snowballs”)

  • Depósitos inflamatórios na pars plana (“snowbanking”)


Sintomas:

  • Visão embaçada

  • Moscas volantes

  • Dor e fotofobia são menos comuns


Panuveíte

Ocorre quando há inflamação envolvendo todas as estruturas da úvea.


Situações específicas


Uveíte por toxoplasmose

É uma das causas mais comuns de uveíte posterior, podendo também acometer o segmento intermediário. Apresenta maior prevalência em idosos e pode estar associada a reativações.


Uveíte hipertensiva

Caracteriza-se pela associação entre inflamação intraocular e aumento da pressão intraocular.

Pode ocorrer por:

  • Obstrução do trabeculado

  • Aumento da produção de humor aquoso

Exige monitorização rigorosa devido ao risco de glaucoma secundário.


Importância do acompanhamento oftalmológico


A uveíte é uma condição que exige avaliação especializada e seguimento regular. O manejo adequado reduz significativamente o risco de complicações e preserva a função visual.


Diante de sintomas como dor ocular, vermelhidão persistente, sensibilidade à luz ou alteração visual, a avaliação oftalmológica deve ser realizada com urgência.

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